Surto de ciclosporíase registra primeiras mortes nos EUA; mais de 11 mil casos são investigados
Duas mortes foram confirmadas em Michigan; autoridades apuram origem da contaminação, enquanto número de infecções e hospitalizações continua em alta
O estado de Michigan confirmou nesta segunda-feira (3) as primeiras mortes relacionadas ao maior surto de ciclosporíase já registrado nos Estados Unidos. As vítimas tinham doenças preexistentes graves, que podem ter sido agravadas pela infecção e pela desidratação provocada pela doença, segundo o Departamento de Saúde estadual.
As autoridades informaram que não houve avanços na investigação sobre a origem do surto. Até o momento, a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) relacionou os casos ao consumo de alface americana proveniente de operações da empresa Taylor Farms, no centro do México. No entanto, outras possíveis fontes de contaminação ainda estão sendo investigadas.
Embora a ciclosporíase, causada pelo parasita Cyclospora, normalmente não seja considerada uma doença com alto risco de morte, o atual surto já se espalhou por nove estados norte-americanos e preocupa as autoridades de saúde.
Em Michigan, o número de casos chegou a 11.234, um aumento de 461 registros em relação à última atualização. O surto também resultou em 193 internações. O condado de Wayne concentra o maior número de infecções, com 1.379 casos, enquanto adultos entre 30 e 39 anos formam a faixa etária mais afetada, somando 2.216 notificações.
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), os casos da doença vêm crescendo nas últimas semanas. Até 28 de julho, o órgão havia confirmado 6.707 infecções por exames laboratoriais e investigava mais de 11.500 casos suspeitos em todo o país.
O CDC esclarece que seus balanços incluem apenas casos confirmados em laboratório, enquanto os departamentos estaduais também contabilizam infecções prováveis, o que explica a diferença entre os números divulgados. A agência informou que trabalha em conjunto com os estados para atualizar os dados nacionais à medida que novas confirmações são concluídas.
Especialistas em segurança alimentar e ex-funcionários do CDC afirmam que os cortes recentes nas agências federais de saúde reduziram a capacidade de resposta a surtos de doenças transmitidas por alimentos. Enquanto isso, o avanço da doença tem alterado o comportamento dos consumidores, que passaram a evitar algumas redes de restaurantes e reduzir a compra de alface diante das incertezas sobre a segurança dos alimentos.