Mpox avança no Rio de Janeiro e acende alerta para circulação de novas linhagens do vírus

Estado registra quase o dobro de casos de todo o ano passado

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O aumento dos casos de mpox no Rio de Janeiro voltou a chamar a atenção de autoridades de saúde e pesquisadores. Até 1º de novembro de 2026, o estado contabilizou 211 casos confirmados da doença, quase o dobro dos 119 registrados durante todo o ano de 2025. Apesar do crescimento, não houve mortes nos dois períodos.

Na capital fluminense, o cenário também preocupa. Até 29 de outubro, foram confirmados 167 casos, contra 94 em todo o ano anterior. Somente em setembro e outubro deste ano, o município registrou 74 infecções, diante de dez no mesmo período de 2025. Setembro concentrou 45 diagnósticos, o maior número mensal desde o início do ano passado.

Um dos aspectos que mobilizam os pesquisadores é a identificação de duas linhagens do vírus em circulação simultânea: os clados Ib e IIb. O primeiro ganhou destaque internacional após surtos registrados em países africanos, enquanto o segundo esteve associado à disseminação internacional da doença a partir de 2022.

Em entrevista publicada pela Agência Aids em 2 de novembro, a infectologista Mayara Secco, pesquisadora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (INI/Fiocruz), informou que, entre setembro e outubro, foram identificadas infecções pelos dois clados. Das 62 pessoas com informações genéticas disponíveis, 43 apresentaram o clado Ib e 19 o IIb.

Segundo a pesquisadora, o aumento observado pode estar relacionado a diferentes fatores, como a persistência da transmissão comunitária desde 2022, a baixa cobertura vacinal entre os grupos mais afetados e a introdução e disseminação de novas linhagens. No entanto, ainda são necessárias investigações para determinar a contribuição de cada um desses elementos.

A especialista também destaca que a identificação do clado Ib não significa, necessariamente, que todos os pacientes infectados desenvolverão quadros mais graves. Embora o clado I tenha sido historicamente associado a maior gravidade, a evolução da doença depende de diferentes condições clínicas e individuais.

Transmissão e sintomas

A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus MPXV. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões na pele, mucosas e fluidos corporais de pessoas infectadas. Também pode acontecer pelo compartilhamento de objetos contaminados, como roupas, toalhas e roupas de cama, além de contato próximo e prolongado com secreções respiratórias.

Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço, aumento dos linfonodos (ínguas) e erupções na pele. As lesões podem aparecer em diferentes partes do corpo, inclusive na região genital, anal e na boca. Em algumas situações, elas são a primeira manifestação da infecção, mesmo sem febre ou outros sintomas.

O Ministério da Saúde orienta que pessoas com lesões suspeitas, especialmente quando acompanhadas de outros sintomas ou histórico de contato com casos confirmados, procurem atendimento em uma unidade de saúde. A confirmação é feita por exame laboratorial.

Vacinação e prevenção

A vacinação contra a mpox está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), mas não é destinada, neste momento, a toda a população. A estratégia prioriza profissionais de laboratório que trabalham com Orthopoxvirus, pessoas vivendo com HIV/aids com imunossupressão e indivíduos que tiveram contato direto de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados, após avaliação da vigilância em saúde.

Entre as medidas preventivas estão evitar contato físico direto com pessoas infectadas, não compartilhar objetos de uso pessoal e manter a higiene das mãos. Pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem evitar contato próximo com outras pessoas até o fim do período de transmissão, que se encerra quando todas as lesões cicatrizam completamente e uma nova camada de pele se forma.

A maioria dos casos apresenta evolução leve a moderada, com recuperação geralmente entre duas e quatro semanas. Ainda assim, pessoas imunocomprometidas, gestantes, crianças e outros grupos vulneráveis podem apresentar maior risco de complicações.

O cenário reforça a importância da vigilância epidemiológica, do diagnóstico oportuno e do acesso à vacinação para os públicos elegíveis. A identificação precoce dos casos e a orientação adequada da população são fundamentais para reduzir a transmissão e evitar complicações.