CFF lança campanha por piso salarial e alerta: sem engajamento da base, a luta não avança

Presidente do Conselho Federal de Farmácia cobra participação efetiva dos profissionais e aponta que apenas entidades não conseguem substituir a mobilização individual para aprovação do PL 1559/2021

Image description

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) intensificou, em janeiro deste ano, uma campanha nacional que pode definir o futuro da categoria: a aprovação do piso salarial dos farmacêuticos, pauta em tramitação na Câmara dos Deputados por meio do Projeto de Lei 1559/2021.

A mobilização, porém, esbarra em um desafio que vai além da articulação política e das estratégias institucionais. O gargalo, segundo o presidente do CFF, Walter Jorge João, está na distância entre a cobrança por avanços e a participação concreta dos profissionais.

A meta estabelecida pela entidade era ambiciosa e calculada para demonstrar força social: ultrapassar 500 mil assinaturas na enquete pública da Câmara. O número seria um argumento político robusto para sensibilizar lideranças parlamentares e acelerar a tramitação do texto, especialmente agora que o projeto se aproxima da Comissão de Tributação e Finanças (CFT).

Até o momento, porém, pouco mais de 115 mil farmacêuticos aderiram à causa. O quantitativo, embora expressivo, ainda está longe de consolidar a unidade nacional que a pauta exige.

"Nenhuma entidade consegue avançar sozinha se a base que representa não assume papel protagonista. A cobrança é legítima, mas cobrança sem atitude concreta não produz transformação estrutural", alerta Walter Jorge João.

A declaração do presidente do CFF sintetiza um diagnóstico que atravessa não apenas a farmácia, mas muitas categorias profissionais do país: a tensão entre a expectativa de representação e a responsabilidade coletiva de construí-la.

Ao longo dos últimos anos, o CFF desenvolveu articulações institucionais, campanhas públicas e diálogos permanentes com parlamentares para inserir as demandas da farmácia na agenda política nacional. As entidades, no entanto, encontram limites objetivos.

Sem a adesão massiva dos profissionais nos momentos estratégicos, as mobilizações perdem o peso simbólico e político necessário para dobrar obstáculos legislativos.

O piso salarial, nesse contexto, transcende a dimensão remuneratória. Trata-se de um marco de reconhecimento técnico e social, capaz de redefinir o papel do farmacêutico tanto na saúde pública quanto na privada.

A aprovação do PL 1559/2021 representaria não apenas justiça salarial, mas consagração do valor estratégico da categoria no sistema de saúde brasileiro.

A janela de oportunidade, porém, está se fechando. Com a iminente pautagem do projeto na CFT, o tempo para que os farmacêuticos traduzam sua reivindicação em ação concreta é curto.

A reflexão que se impõe é política e coletiva: profissões consolidam direitos quando há coesão, presença e engajamento real nos momentos decisivos. A mobilização, nesse sentido, não é tarefa delegada. É responsabilidade compartilhada entre entidades e profissionais.

O CFF conclama a categoria a transformar a insatisfação em participação. A luta pelo piso salarial está em curso. Mas sem a base, não há teto.

Faça a sua parte em https://www.camara.leg.br/enquetes/2279476