Tecnologia implantável pode ajudar no controle do diabetes tipo 1 sem aplicações de insulina

Dispositivo desenvolvido por pesquisadores do MIT protege células produtoras de insulina e mantém seu funcionamento por pelo menos 90 dias em testes com animais

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Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em parceria com o Boston Children’s Hospital, nos Estados Unidos, pode abrir novos caminhos para o tratamento do diabetes tipo 1. Os cientistas criaram um dispositivo implantável que abriga células produtoras de insulina e permite que elas continuem funcionando dentro do organismo.

A tecnologia funciona como uma espécie de pâncreas bioartificial. O equipamento envolve células das ilhotas pancreáticas, responsáveis pela produção de insulina, em uma cápsula protetora. Essa estrutura permite a entrada de glicose e a liberação do hormônio, ao mesmo tempo que dificulta o ataque do sistema imunológico às células transplantadas.

Um dos principais desafios da pesquisa foi garantir que as células recebessem oxigênio suficiente para sobreviver. Para resolver o problema, os pesquisadores desenvolveram um sistema que utiliza energia transmitida sem fio por uma antena externa para produzir oxigênio a partir do vapor de água presente no organismo.

Os resultados foram publicados em março de 2026 na revista científica Device. Nos experimentos com camundongos e ratos, o dispositivo manteve as células funcionais por pelo menos 90 dias. Nesse período, elas produziram insulina suficiente para ajudar a controlar os níveis de glicose no sangue dos animais.

Os pesquisadores também testaram células produtoras de insulina derivadas de células-tronco humanas, que apresentaram controle parcial da glicemia durante o mesmo período. Além disso, experimentos iniciais em primatas não humanos demonstraram a sobrevivência das células por um mês.

Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda está em fase experimental e não foi testada em pacientes. Os próximos passos incluem ampliar o tempo de funcionamento do dispositivo e avançar nos estudos para avaliar sua segurança e eficácia em seres humanos.

A expectativa é que, no futuro, a estratégia possa reduzir a necessidade de aplicações frequentes de insulina e oferecer uma nova alternativa de tratamento para pessoas com diabetes tipo 1.