Vacina da gripe pode reduzir risco de infarto e AVC, aponta estudo dinamarquês
Pesquisa publicada na revista Eurosurveillance sugere que a imunização contra influenza também pode atenuar complicações cardiovasculares em pessoas que, mesmo vacinadas, ainda contraem o vírus
Uma investigação nacional feita na Dinamarca encontrou evidências de que a vacina contra a gripe pode diminuir de forma relevante o risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC) após a infecção por influenza. O estudo, publicado na Eurosurveillance em 2 de abril de 2026, analisou registros de 1.221 adultos com 40 anos ou mais, acompanhados entre as temporadas de influenza de 2014 e 2025.
Segundo os autores, os participantes tiveram sua primeira internação por infarto ou AVC dentro de cerca de um ano após um teste laboratorial positivo para gripe. Entre eles, a maior parte dos eventos foi de AVC, e a pesquisa mostrou que, na primeira semana após a infecção, o risco de hospitalização por evento cardiovascular subiu de forma acentuada, chegando a cerca de três vezes para AVC e cinco vezes para infarto em comparação com outros períodos.
O ponto central do trabalho é que essa elevação de risco foi menor entre os vacinados na mesma temporada. De acordo com o resumo divulgado pelos pesquisadores, a proteção observada entre quem recebeu o imunizante reduziu em cerca de metade o excesso de risco cardiovascular associado à gripe, mesmo quando houve infecção após a vacinação. Os autores afirmam que, se confirmado em outros cenários, o achado reforça a prioridade da vacinação entre pessoas com maior risco de doença cardíaca ou AVC.
A hipótese biológica é compatível com o que já se conhece sobre influenza e inflamação sistêmica: a infecção pode desestabilizar placas de gordura nas artérias e desencadear eventos agudos, enquanto a vacinação ajuda a reduzir essa cascata inflamatória. O estudo, porém, não comparou a eficácia entre diferentes tipos de vacina nem avaliou com precisão o impacto do momento da imunização ou de diferenças entre sexos, o que limita a generalização dos resultados.
Autoridades de saúde já reforçam a importância da proteção anual contra a gripe. O CDC recomenda vacinação rotineira para todas as pessoas a partir dos 6 meses de idade sem contraindicação, e destaca que pessoas com doença cardíaca ou histórico de AVC têm risco maior de complicações graves pela influenza. O órgão também observa que a vacinação tem sido associada a menores taxas de alguns eventos cardíacos nesse grupo.