Exame de sangue que busca sinais de mais de 50 tipos de câncer chega ao Brasil
Teste Galleri analisa padrões de DNA no sangue e pode indicar o tecido de origem de um possível tumor, mas não substitui o diagnóstico por exames complementares
Um exame de sangue que busca sinais moleculares associados a mais de 50 tipos de câncer passou a ser oferecido comercialmente no Brasil. O Galleri, desenvolvido pela empresa norte-americana GRAIL, utiliza uma única amostra de sangue para procurar alterações no DNA que podem indicar a presença de um tumor.
O teste é disponibilizado no país pela Genesis Genomics, parceria entre o Hospital Israelita Albert Einstein e o Grupo Fleury. O exame custa R$ 6.990, exige solicitação médica e tem resultado previsto em até 30 dias. A coleta é realizada no Brasil, enquanto a análise da amostra é feita nos Estados Unidos.
A tecnologia é conhecida como biópsia líquida. Em vez de retirar uma amostra do tumor, o método analisa fragmentos de DNA livre circulante presentes no sangue. O Galleri utiliza sequenciamento de nova geração e avalia padrões de metilação, alterações químicas que ajudam a regular a atividade dos genes. Esses padrões podem funcionar como uma espécie de assinatura molecular associada ao câncer.
Quando identifica um sinal compatível com câncer, o sistema também estima o tecido ou órgão de origem mais provável. Essa informação pode ajudar o médico a direcionar a investigação e definir quais exames complementares devem ser realizados.
Apesar da tecnologia, o Galleri não é um exame diagnóstico. Um resultado positivo não confirma a presença de câncer e precisa ser investigado por meio de exames complementares. Da mesma forma, um resultado negativo não elimina completamente a possibilidade da doença.
O teste é considerado uma estratégia complementar de rastreamento, especialmente para pessoas com mais de 50 anos e para indivíduos com histórico familiar ou outros fatores de risco. Ele não substitui os exames de rastreamento já recomendados para tipos específicos de câncer.
Segundo dados apresentados pela Genesis, entre os primeiros cerca de 25 mil participantes acompanhados por um ano no estudo PATHFINDER 2, 53,5% dos cânceres identificados pelo teste estavam nos estágios I ou II. Os próprios dados, porém, reforçam que o exame deve ser utilizado como ferramenta complementar e que resultados positivos precisam de confirmação diagnóstica.