Anvisa aprova novo medicamento oral para prevenção da enxaqueca
Atogepanto, princípio ativo do Aquipta, atua sobre uma via relacionada à dor da enxaqueca e ainda terá preço definido no Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (8) o registro do Aquipta (atogepanto), novo medicamento oral para a prevenção da enxaqueca. A indicação é para adultos que apresentam pelo menos quatro episódios da doença por mês.
O atogepanto pertence a uma classe chamada gepants, medicamentos desenvolvidos para bloquear o receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, conhecido pela sigla CGRP. Essa molécula participa dos mecanismos envolvidos na transmissão da dor durante as crises de enxaqueca.
A proposta é diferente de alguns tratamentos preventivos tradicionais, que utilizam medicamentos desenvolvidos originalmente para outras doenças. O atogepanto foi criado especificamente para atuar em uma das vias relacionadas à fisiopatologia da enxaqueca.
Como funciona
Durante a crise de enxaqueca, a ativação do sistema trigeminovascular contribui para a liberação de moléculas envolvidas na dor, entre elas o CGRP. O atogepanto bloqueia o receptor dessa molécula e, com isso, reduz a sinalização associada à dor.
O medicamento é administrado por via oral e pertence ao mesmo grupo dos chamados antagonistas do receptor de CGRP. A classe também inclui outros medicamentos usados no tratamento da enxaqueca.
Estudos mostram redução das crises
A eficácia do atogepanto foi avaliada em estudos clínicos de fase 3. No estudo ADVANCE, com adultos que apresentavam de quatro a 14 dias de enxaqueca por mês, a dose de 60 mg reduziu, em média, 4,2 dias de enxaqueca por mês após 12 semanas, enquanto a redução foi de 2,5 dias entre os participantes que receberam placebo.
Ainda no mesmo estudo, 60,8% dos participantes que receberam 60 mg tiveram redução de pelo menos 50% nos dias de enxaqueca, contra 29% no grupo placebo. Os efeitos adversos mais frequentes foram constipação e náusea.
Os resultados indicam benefício em relação ao placebo, mas não permitem afirmar que o atogepanto seja superior a outros tratamentos preventivos, já que o estudo não foi desenhado para fazer uma comparação direta entre essas terapias.
Preço ainda será definido
Embora o registro da Anvisa permita a comercialização do medicamento no país, a aprovação não significa que o Aquipta já esteja disponível nas farmácias. A empresa ainda precisa passar pelas etapas relacionadas à definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável por estabelecer os preços máximos permitidos no mercado brasileiro.
A previsão de chegada às farmácias e o preço do medicamento ainda não foram informados.
A aprovação também não significa incorporação automática ao Sistema Único de Saúde (SUS). Para que um medicamento seja disponibilizado na rede pública, é necessário passar por uma avaliação específica de incorporação de tecnologias em saúde.
Com o novo registro, o Brasil amplia as opções de tratamento preventivo para pessoas que convivem com crises frequentes de enxaqueca. A escolha da terapia, no entanto, deve ser feita de forma individualizada, considerando a frequência e a intensidade das crises, outras condições de saúde, tratamentos anteriores e possíveis efeitos adversos.