Upadacitinibe faz cabelo crescer em mais da metade dos pacientes com alopecia grave
Dois estudos de fase 3 avaliaram o medicamento em 1.399 adultos e adolescentes; na dose mais alta, cerca de 55% alcançaram pelo menos 80% de cobertura do couro cabeludo após 24 semanas
O upadacitinibe, medicamento já utilizado no tratamento de doenças inflamatórias, apresentou resultados promissores contra a alopecia areata grave, condição autoimune que provoca queda de cabelo. Os resultados de dois estudos clínicos de fase 3 foram publicados em 12 de agosto na revista científica JAMA Dermatology.
Os estudos UP-AA1 e UP-AA2 reuniram 1.399 pacientes com idade entre 12 e 64 anos, em centros de 25 e 28 países, respectivamente. Os participantes tinham alopecia areata grave, definida pela perda de pelo menos metade dos cabelos do couro cabeludo.
Após 24 semanas de tratamento, 55% dos pacientes que receberam 30 mg de upadacitinibe por dia no primeiro estudo e 54,3% no segundo apresentaram pontuação SALT igual ou inferior a 20. O índice significa que a pessoa tinha 20% ou menos de perda de cabelo no couro cabeludo, ou seja, pelo menos 80% de cobertura capilar.
Também houve resultados positivos com a dose de 15 mg. Nesse grupo, 45,2% dos participantes do primeiro estudo e 44,6% do segundo atingiram o mesmo resultado. Entre os pacientes que receberam placebo, os índices foram de apenas 1,5% e 3,4%, respectivamente.
O medicamento também favoreceu o crescimento de sobrancelhas e cílios. Na dose de 30 mg, entre os participantes que apresentavam perda desses pelos no início do estudo, aproximadamente 59% a 62% tiveram melhora significativa nas sobrancelhas, enquanto os índices para os cílios ficaram entre 59% e 61%.
Apesar dos resultados, o tratamento não fez o cabelo voltar a crescer em todos os pacientes. Na dose de 30 mg, cerca de 20% a 23% dos participantes apresentaram cobertura completa do couro cabeludo após 24 semanas.
O upadacitinibe é um inibidor seletivo das enzimas Janus quinase (JAK). O perfil de segurança observado nos estudos foi semelhante ao já conhecido nas indicações aprovadas do medicamento, sem novos sinais de segurança identificados durante o período de 24 semanas. Entre os eventos adversos mais frequentes estavam infecções das vias respiratórias superiores, acne, aumento da creatina fosfoquinase e nasofaringite.
Os pesquisadores concluíram que o upadacitinibe apresentou resultados superiores ao placebo nos dois estudos e pode representar uma opção de tratamento para adultos e adolescentes com alopecia areata grave. Os resultados, porém, não significam que o medicamento esteja aprovado para essa indicação em todos os países.