Inclusão de "igreja" em receituário médico em Piracicaba motiva abertura de apuração administrativa
Caso ocorreu no Pronto-Socorro da Vila Sônia com paciente diagnosticado com paralisia facial de Bell; Secretaria de Saúde ressalta que orientação foi complementar e não substituiu tratamento clínico.
Um receituário médico elaborado durante um atendimento no Pronto-Socorro da Vila Sônia, localizado em Piracicaba (SP), repercutiu nas redes sociais após incluir a recomendação de "igreja" entre as orientações repassadas a um paciente diagnosticado com paralisia facial de Bell. O episódio foi registrado em uma segunda-feira (8/6). Segundo a denúncia veiculada, o cidadão havia procurado a unidade de saúde relatando sofrer com dores no rosto, no olho, no ouvido, na cabeça e no abdômen.
O fato que despertou a atenção pública foi a presença da palavra "igreja" no documento atribuído ao médico responsável pela consulta, figurando ao lado da prescrição de medicamentos e de outras indicações tradicionais voltadas à saúde, como alimentação, exercício e a orientação geral de cuidar de si. Diante do ocorrido, a Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba informou que tomou conhecimento da situação e instaurou uma apuração administrativa com o objetivo de analisar o caso.
Em nota, o órgão municipal detalhou o atendimento prestado, esclarecendo que os registros assistenciais demonstram que o paciente foi regularmente acolhido e submetido a uma avaliação médica completa. Essa avaliação envolveu a realização de anamnese, exame físico, análise dos exames disponíveis, definição diagnóstica, administração de medicações durante o atendimento e a devida prescrição terapêutica para a continuidade do tratamento. A Secretaria reforçou textualmente que não houve, portanto, a substituição da assistência médica por qualquer outra forma de orientação.
Por fim, a pasta da Saúde explicou que a referência à participação em atividades religiosas foi registrada juntamente com as demais recomendações relacionadas ao autocuidado e à promoção da saúde, as quais englobavam alimentação adequada, prática regular de atividade física, cuidados pessoais e acompanhamento psicológico. A administração frisou que tal orientação não foi apresentada como tratamento médico, tampouco como substituição da terapêutica prescrita, mas sim como uma recomendação complementar inserida em um conjunto de medidas voltadas à promoção integral da saúde.