Médico envia receita ilegível com mensagem ofensiva e CFF cobra retratação

Conselhos profissionais repudiam conduta de médico e presidente do CFF afirma que, diante de dúvidas, o farmacêutico não deve dispensar o medicamento

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Um episódio envolvendo um receituário ilegível e uma frase ofensiva repercutiu amplamente nas redes sociais e mobilizou entidades representativas da Farmácia no Espírito Santo. O médico Dr. César Quintaes Freitas Lima (CRM-ES 000964) enviou uma prescrição cuja caligrafia impedia a identificação do medicamento e acompanhou o documento da mensagem “Vocês são fracos”, direcionada ao farmacêutico que buscava apenas confirmar qual fármaco havia sido prescrito. Sem condições técnicas de identificar o produto, o profissional orientou corretamente a paciente a retornar ao consultório, medida essencial para evitar riscos e garantir segurança.

A resposta do médico, entretanto, foi uma nova receita igualmente difícil de ler e novamente acompanhada da frase ofensiva. Diante do ocorrido, o Conselho Regional de Farmácia do Espírito Santo (CRF-ES) e o Sindicato dos Farmacêuticos do Espírito Santo (SINFES) emitiram notas de repúdio, classificando a atitude como incompatível com os princípios de respeito, urbanidade e cooperação que devem reger a relação entre médicos e farmacêuticos. As entidades também exigiram a retratação formal do médico e solicitaram que o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) adote imediatamente as medidas éticas e disciplinares cabíveis.

O caso reacendeu o debate sobre a importância da comunicação clara entre profissionais de saúde e sobre o dever técnico do farmacêutico de recusar a dispensação quando a prescrição é ilegível ou não permite identificar, com absoluta precisão, o tratamento indicado. Essa conduta não é recusa de atendimento, mas sim uma medida de segurança ao paciente.

O presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter Jorge João, também se manifestou e reforçou a necessidade de respeito entre as categorias. “É inadmissível que um farmacêutico seja ofendido por cumprir seu dever técnico e zelar pela segurança do paciente. Exigimos urbanidade, exigimos respeito e exigimos que o profissional responsável por essa conduta se retrate. E reafirmo: quando houver qualquer dúvida sobre o que está prescrito, o farmacêutico não deve dispensar o medicamento. A segurança deve sempre prevalecer”, afirmou.

As entidades garantem que acompanharão o caso e defendem que situações como essa reforçam a importância da comunicação interprofissional qualificada e do compromisso com a segurança assistencial.