Teste experimental pode acelerar identificação da resistência do HIV aos antirretrovirais

Ensaio desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Washington apresentou resultados em cerca de duas horas e tem potencial para reduzir o custo dos testes de resistência

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Um novo método experimental para avaliar a resistência do HIV aos medicamentos antirretrovirais pode tornar esse tipo de análise mais rápido e acessível. O ensaio foi apresentado durante a 26ª Conferência Internacional sobre Aids (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro, e utiliza a atividade da transcriptase reversa do vírus para identificar a suscetibilidade a medicamentos que atuam sobre essa enzima.

Desenvolvido por pesquisadores da University of Washington, nos Estados Unidos, o método é uma versão otimizada do chamado PERT (Product Enhanced Reverse Transcriptase). A técnica combina a produção de DNA complementar pela transcriptase reversa do HIV com a detecção desse material por PCR quantitativa. Diferentemente dos testes fenotípicos tradicionais, o procedimento não depende do cultivo do vírus em células, o que pode reduzir o tempo e a complexidade da análise.

Nos experimentos apresentados, o ensaio permitiu quantificar entre 10 e 1 milhão de cópias de transcriptase reversa do HIV, correspondendo a uma carga viral estimada de aproximadamente 25 a 2,5 milhões de cópias de RNA por mililitro. Em amostras com carga viral em torno de 2.500 cópias de RNA/mL, os pesquisadores avaliaram a ação de diferentes inibidores da transcriptase reversa, incluindo lamivudina, islatravir, doravirina e rilpivirina.

O estudo também mostrou que a técnica foi capaz de identificar uma fração de 10% de enzimas resistentes em uma mistura com enzimas suscetíveis, em um dos experimentos realizados com uma variante associada à resistência à lamivudina e ao islatravir. Segundo os autores, o ensaio apresentou tempo de execução de aproximadamente duas horas e características analíticas compatíveis com requisitos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde para testes de resistência.

A resistência aos antirretrovirais ocorre quando o HIV sofre alterações que reduzem a ação dos medicamentos. Atualmente, os testes de resistência podem ser genotípicos, que identificam mutações no material genético do vírus, ou fenotípicos, que avaliam diretamente sua resposta aos medicamentos. Os primeiros podem exigir análise especializada para interpretar o impacto clínico das mutações, enquanto os testes fenotípicos tradicionais costumam ser mais demorados por dependerem de cultura celular.

Apesar dos resultados promissores, o novo método ainda é experimental e não substitui os testes de resistência utilizados na prática clínica. O trabalho apresentado na AIDS 2026 avaliou principalmente medicamentos que atuam sobre a transcriptase reversa. Assim, a técnica ainda precisa passar por estudos adicionais de validação e comparação com métodos já estabelecidos antes de uma eventual aplicação rotineira no atendimento aos pacientes.

O avanço ocorre em um cenário de desenvolvimento contínuo de novas opções para o tratamento do HIV. Em abril de 2026, a FDA aprovou nos Estados Unidos o Idvynso, combinação de doravirina e islatravir, para adultos com HIV-1 que estejam com supressão virológica e atendam a critérios específicos.

Para os pesquisadores, a possibilidade de realizar um teste de resistência em poucas horas, utilizando equipamentos que já estão disponíveis em muitos laboratórios, pode contribuir para ampliar o acesso ao diagnóstico da resistência do HIV, especialmente em locais com menos recursos. Por enquanto, porém, o resultado deve ser interpretado como uma evidência inicial de potencial tecnológico, e não como uma nova ferramenta diagnóstica já disponível.