Vacinação contra HPV é ampliada para crianças vítimas de violência sexual
Ministério da Saúde recomenda vacina a partir dos 2 anos para meninos e meninas vítimas de violência sexual
O Ministério da Saúde ampliou a recomendação de vacinação contra o HPV para crianças vítimas de violência sexual. A partir de agora, meninos e meninas com 2 anos ou mais poderão receber uma dose da vacina HPV quadrivalente, após avaliação do serviço de saúde ou do profissional responsável pelo atendimento.
Até então, a recomendação específica para vítimas de violência sexual contemplava pessoas de 9 a 45 anos. A mudança permite que crianças mais novas também tenham acesso à proteção contra o vírus.
A medida considera o aumento dos registros de violência sexual nessa faixa etária. Segundo dados do Atlas da Violência 2026, citados pelo Ministério da Saúde, as notificações envolvendo crianças de 0 a 4 anos passaram de 1.671, em 2014, para 7.845, em 2024, um crescimento de mais de quatro vezes em dez anos.
A vacinação, no entanto, não deve ser entendida como um tratamento para uma eventual infecção pelo HPV adquirida durante a violência. A vacina não elimina o vírus já presente no organismo. Seu objetivo é proteger contra tipos de HPV aos quais a criança ainda não tenha sido exposta e reduzir o risco de infecções em exposições futuras.
Por isso, a estratégia é diferente de uma profilaxia pós-exposição. A vacinação busca ampliar a proteção da criança diante de possíveis exposições posteriores ao vírus.
Para crianças de 2 a 8 anos, a dose administrada em razão da violência sexual não substitui a vacinação prevista para a faixa etária indicada no calendário de rotina. Quando atingir a idade correspondente, a criança deverá seguir as recomendações do Programa Nacional de Imunizações.
A ampliação reforça a importância da vacinação como parte do cuidado integral às vítimas de violência sexual, especialmente diante do aumento dos casos registrados entre crianças pequenas.