Sete em cada dez brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, aponta pesquisa
Levantamento Genial/Quaest mostra forte apoio popular à redução da jornada de trabalho; proposta em debate na Câmara prevê semana de 40 horas e dois dias de descanso remunerado
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força no Brasil e já conta com amplo apoio popular. Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês mostra que 68% dos brasileiros defendem o fim do modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos para ter apenas um dia de descanso. Na prática, isso significa que quase sete em cada dez brasileiros apoiam mudanças na jornada de trabalho.
O levantamento foi realizado entre os dias 8 e 11 de maio com 2.004 pessoas acima de 16 anos em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Os números confirmam uma tendência já apontada por outras pesquisas recentes. Em março, um levantamento do Datafolha mostrou que 71% dos entrevistados também eram favoráveis à redução da jornada de trabalho. O tema ganhou ainda mais visibilidade após mobilizações nas redes sociais e debates sobre qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre trabalho e descanso.
Atualmente, a Constituição Federal estabelece jornada máxima de 44 horas semanais. A proposta em discussão no Congresso Nacional pretende reduzir esse limite para 40 horas semanais, mantendo o teto diário de oito horas de trabalho. O objetivo é permitir escalas mais equilibradas, como a 5×2, com dois dias de descanso remunerado por semana.
A mudança está sendo analisada por uma comissão especial da Câmara dos Deputados, responsável por discutir as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) 8/2025 e 221/2019. Os textos foram apresentados pela deputada Erika Hilton e pelo deputado Reginaldo Lopes. As propostas defendem a redução da jornada sem diminuição salarial.
O relator da comissão, Leo Prates, informou que o texto em elaboração também deverá incluir proteção contra redução de salários durante a transição. Segundo ele, empresas que descumprirem a regra poderão perder benefícios previstos em eventual período de adaptação.
Outra mudança prevista é no trecho constitucional que trata do repouso semanal remunerado. A ideia é garantir dois dias de descanso por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
Apesar do apoio majoritário, a pesquisa mostra que a opinião dos brasileiros muda quando a possibilidade de redução salarial entra no debate. Nesse cenário, o apoio à mudança cai para 60%, enquanto cresce o número de pessoas contrárias à proposta.
O levantamento também identificou diferenças políticas. Entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o apoio ao fim da escala 6×1 caiu de 92% em dezembro para 76% em maio. Mesmo assim, a maioria continua favorável às mudanças. Entre eleitores de direita não ligados ao bolsonarismo, o apoio passou de 52% para 55%.
Especialistas em relações de trabalho afirmam que o debate envolve impactos econômicos, produtividade e saúde dos trabalhadores. Defensores da proposta argumentam que jornadas menores podem reduzir casos de estresse, esgotamento físico e adoecimento mental, além de melhorar a qualidade de vida. Já setores empresariais demonstram preocupação com possíveis aumentos de custos e dificuldades de adaptação em algumas áreas da economia.
A apresentação do relatório da comissão especial foi adiada para os próximos dias, enquanto governo, parlamentares e representantes do setor produtivo seguem negociando o texto final da proposta.