Farmacêutica é premiada por pesquisa que usa esgoto hospitalar para detectar superbactérias

Estudo desenvolvido na Fiocruz utiliza efluentes hospitalares para identificar precocemente bactérias resistentes e reforçar ações de vigilância em saúde

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Quando bactérias resistentes são encontradas no esgoto hospitalar, o problema pode estar sendo identificado antes mesmo de chegar aos pacientes. Transformar as águas residuais em um sistema de alerta precoce é uma estratégia inovadora que vem ganhando espaço no enfrentamento da resistência aos antimicrobianos - uma das maiores ameaças à saúde pública mundial.

Foi essa abordagem que garantiu à farmacêutica Líllian Silva, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz), o Prêmio Prof. Mateus Mandu de Souza, concedido ao melhor trabalho na área de Ciência, Tecnologia e Inovação durante o 51º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas (CBAC).

A pesquisa, intitulada "Vigilância baseada em águas residuais para o monitoramento de bactérias resistentes em efluentes hospitalares do Rio de Janeiro", demonstrou que o monitoramento de efluentes hospitalares pode identificar precocemente a circulação de bactérias resistentes aos antimicrobianos, contribuindo para o fortalecimento da vigilância em saúde e das ações de controle de infecções. 

"A vigilância baseada em águas residuais permite enxergar a circulação de bactérias resistentes antes mesmo que elas se manifestem em surtos clínicos. Ao monitorar os efluentes hospitalares, conseguimos gerar informações que apoiam a prevenção, fortalecem as ações de controle de infecções e contribuem para o uso racional dos antimicrobianos”, afirma Líllian Silva.

O estudo analisou amostras coletadas em seis hospitais públicos do Rio de Janeiro e identificou 63 cepas bacterianas resistentes, incluindo espécies como Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli. Parte significativa dos isolados apresentou perfis de multirresistência, evidenciando a circulação de microrganismos capazes de comprometer a eficácia de importantes antibióticos utilizados na prática clínica. 

De acordo com a pesquisa, a vigilância baseada em águas residuais permite detectar precocemente a presença desses patógenos, fornecendo informações que podem subsidiar as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar, fortalecer programas de uso racional de antimicrobianos e ampliar a capacidade de resposta dos serviços de saúde. 

Além de reconhecer a excelência científica do trabalho, a premiação destaca a contribuição da pesquisa farmacêutica para o enfrentamento da resistência aos antimicrobianos, problema que afeta a saúde humana, animal e ambiental e exige soluções integradas sob a perspectiva da Saúde Única (One Health).