Pesquisa brasileira desenvolve nanopartículas que podem transformar o tratamento da psoríase e do vi

Tecnologia criada por pesquisadores da USP utiliza moléculas de RNA para agir diretamente nos genes ligados à inflamação, com potencial para tornar os tratamentos mais precisos e menos invasivos

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Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, pode abrir um novo caminho para o tratamento de doenças de pele como psoríase e vitiligo. A equipe do laboratório NanoGeneSkin está desenvolvendo nanopartículas capazes de transportar moléculas terapêuticas de RNA diretamente às células da pele, permitindo atuar sobre os genes envolvidos no desenvolvimento dessas doenças. Os resultados foram apresentados durante a Semana da Fapesp, realizada em Londres.

A estratégia utiliza pequenas moléculas conhecidas como RNA de interferência (siRNA), que bloqueiam a produção de proteínas responsáveis pelo processo inflamatório. Em vez de agir em todo o organismo, como acontece com muitos medicamentos disponíveis atualmente, a tecnologia busca atingir apenas os alvos relacionados à doença, o que pode aumentar a eficácia do tratamento e reduzir efeitos indesejados.

Um dos principais desafios é fazer com que o RNA chegue intacto às células da pele, já que essas moléculas são facilmente degradadas pelo organismo e encontram dificuldade para atravessar a barreira natural da pele. Para superar esse obstáculo, os pesquisadores desenvolveram nanopartículas formadas por lipídios, que protegem o material genético e facilitam sua liberação nas células-alvo.

Os estudos já demonstraram resultados positivos em experimentos realizados com células em laboratório e em modelos animais com lesões semelhantes às observadas na psoríase e no vitiligo. Além de transportar o RNA, as nanopartículas também conseguiram levar medicamentos anti-inflamatórios convencionais, ampliando as possibilidades terapêuticas da tecnologia.

Embora ainda sejam necessários novos estudos e todas as etapas de avaliação regulatória antes da aplicação em pacientes, especialistas consideram a pesquisa promissora. A plataforma também está sendo investigada para acelerar a cicatrização de feridas crônicas e poderá, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de vacinas baseadas em mRNA, incluindo imunizantes experimentais contra o câncer.