Suplemento de ashwagandha é associado a caso de insuficiência hepática grave no Reino Unido
Britânica de 44 anos precisou de transplante de fígado após consumir gomas divulgadas nas redes sociais. Caso reforça a importância da orientação profissional antes do uso de suplementos
O uso de um suplemento popular nas redes sociais acendeu um alerta sobre os riscos do consumo de produtos naturais sem orientação profissional. A britânica Lois Kinder, de 44 anos, desenvolveu insuficiência hepática aguda após consumir diariamente gomas de ashwagandha, planta utilizada tradicionalmente na medicina ayurvédica e divulgada por supostos benefícios para o relaxamento e o alívio do estresse.
Segundo relatos da família à imprensa britânica, Lois começou a consumir o produto em julho de 2025, após conhecê-lo no TikTok. No início de julho de 2026, ela apresentou vômitos e icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele e dos olhos. Em 13 de julho, foi encontrada desacordada em casa e levada às pressas ao hospital, onde recebeu o diagnóstico de insuficiência hepática aguda.
A paciente foi colocada em coma induzido e transferida para um centro especializado em doenças do fígado, em Birmingham. Posteriormente, precisou de um transplante hepático. De acordo com as informações divulgadas, complicações durante o atendimento provocaram falta de oxigênio no cérebro e graves danos neurológicos.
Embora os médicos suspeitem de uma relação entre o quadro e o suplemento, o caso, isoladamente, não comprova que a ashwagandha tenha sido a causa direta da lesão hepática. A avaliação depende da investigação clínica e da exclusão de outras possíveis causas.
Natural não significa livre de riscos
A ashwagandha é uma planta de origem asiática cujos extratos são comercializados em diferentes apresentações. Apesar da popularidade nas redes sociais, produtos à base de plantas podem provocar efeitos adversos, interagir com medicamentos e apresentar riscos que variam conforme a composição, a dose e as condições de saúde de cada pessoa.
No Brasil, a Anvisa não autoriza o uso de qualquer ingrediente em suplementos alimentares apenas por ser natural. A composição precisa atender às exigências sanitárias, e produtos irregulares podem representar riscos à saúde. A possibilidade de manipulação também depende das normas aplicáveis à substância e à preparação, não sendo uma autorização automática.
Nesse contexto, o farmacêutico tem papel fundamental na orientação sobre o uso seguro de medicamentos, plantas medicinais e suplementos. O profissional pode avaliar a composição do produto, identificar possíveis interações, verificar contraindicações e esclarecer se há evidências científicas que sustentem os benefícios anunciados.
Também é importante informar ao profissional de saúde todos os produtos utilizados, inclusive chás, extratos vegetais e suplementos adquiridos pela internet. Vômitos persistentes, pele ou olhos amarelados e alterações de consciência exigem avaliação médica imediata.
Antes de consumir um produto indicado por influenciadores ou divulgado como solução para ansiedade, estresse ou sintomas da menopausa, procure orientação profissional. A popularidade nas redes sociais não comprova eficácia nem garante segurança.