Ministério da Saúde amplia proteção contra a poliomielite com novo reforço vacinal para crianças
A partir de agosto de 2026, esquema contra a doença passa a contar com duas doses de reforço da vacina inativada, reforçando a estratégia para manter o Brasil livre do poliovírus
O Ministério da Saúde anunciou mudanças no Calendário Nacional de Vacinação contra a poliomielite. A partir de 3 de agosto de 2026, crianças passarão a receber uma segunda dose de reforço da vacina inativada poliomielite (VIP) aos quatro anos de idade. A medida foi oficializada por meio da Nota Técnica nº 64/2026 e faz parte das estratégias para fortalecer a proteção da população infantil e manter o Brasil livre da circulação do poliovírus.
Com a atualização, o esquema vacinal contra a poliomielite será composto exclusivamente pela VIP, aplicada em três doses aos 2, 4 e 6 meses de idade, seguidas de dois reforços: o primeiro aos 15 meses e o segundo aos 4 anos. Segundo o Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI), a vacinação continua sendo a única forma eficaz de prevenção da doença, que pode causar paralisia irreversível e levar à morte em casos graves.
Vale ressaltar que essa segunda dose de reforço já fazia parte do calendário de vacinação infantil recomendado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), antes de sua incorporação às recomendações oficiais do Programa Nacional de Imunizações (PNI).
O Brasil não registra casos de poliomielite causada pelo poliovírus selvagem desde 1989 e recebeu, em 1994, a certificação de área livre da circulação do vírus, juntamente com os demais países das Américas. De acordo com o Ministério da Saúde, esse resultado é consequência das elevadas coberturas vacinais alcançadas ao longo de décadas de campanhas e ações de imunização.
A introdução do segundo reforço foi discutida pela Câmara Técnica Assessora em Imunizações (CTAI) com a participação de sociedades científicas, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A recomendação busca ampliar a proteção das crianças diante do risco de reintrodução do vírus em países que mantêm baixas coberturas vacinais.
O Ministério da Saúde orienta que crianças menores de cinco anos com esquemas vacinais incompletos devem ter a situação atualizada nos serviços de vacinação. As doses não recebidas poderão ser aplicadas até os 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade, conforme avaliação da carteira de vacinação. A pasta também reforça a importância do registro adequado das aplicações nos sistemas oficiais de informação e do monitoramento de eventos adversos para garantir a segurança e a efetividade da vacinação.