Farmacêuticos na torcida pelo Brasil no Oscar
Do samba ao Oscar: a arte que cura corações e constrói resistência

Enquanto o país se prepara para o Carnaval, uma outra emoção toma conta de parte dos brasileiros: a esperança de ver o drama "Ainda Estou Aqui" fazer história no Oscar 2025. Entre os torcedores, farmacêuticos de diversas regiões do país planejam conciliar a folia com um compromisso inadiável: acompanhar a cerimônia que pode coroar o filme brasileiro nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres.
Com elenco de peso — incluindo Selton Mello e a própria Torres —, a produção dirigida por Walter Salle retrata a jornada de Eunice Paiva, onde um dia, seu marido, Rubens Paiva, é levado por militares à paisana e desaparece. Eunice, cuja busca pela verdade sobre o destino de Rubens se estenderia por décadas, é obrigada a se reinventar e traçar um novo futuro para si e seus filhos.
"É uma história que nos lembra da força do povo brasileiro", afirma Carla Mendes, farmacêutica de São Paulo, que já reservou o domingo (2) para torcer pelo Brasil. "Torcer por esse filme não é só sobre entretenimento. É sobre ver nossa memória reconhecida mundialmente. A Fernanda Torres está impecável. É uma chance de mostrar que o Brasil vai além de estereótipos."
A comoção se espalha nas redes sociais, com relatos de profissionais de saúde que planejam assistir à cerimônia entre um bloco e outro. "Vou curtir o Carnaval, mas meu coração estará dividido com o Oscar", brinca Rafael Costa, farmacêutico do Rio de Janeiro. "Esse filme é um grito de resistência. Mostra que, mesmo nas piores circunstâncias, a esperança persiste. É isso que o brasileiro carrega no DNA."
Arte como cuidado da alma
Para além do entretenimento, a mobilização em torno do filme ressalta o papel terapêutico da arte na saúde mental. "Lidamos diariamente com pressão, dor e luto. A arte, seja no cinema ou na música, é um antídoto", reflete Mariana Lopes, farmacêutica de Belo Horizonte, que organizará uma festa temática durante a transmissão. "Histórias como a de Eunice nos ajudam a processar nossas próprias lutas. É como se cada cena dissesse: ‘Você não está sozinho’." Estudos da Organização Mundial da Saúde já apontaram que o engajamento cultural reduz ansiedade e fortalece a resiliência emocional — benefícios vitais para profissionais da saúde, que encontraram na pandemia um exemplo extremo de desgaste físico e mental. "A arte não cura doenças, mas cura almas", completa Rafael. "E quando a alma está forte, o corpo responde melhor."
Para muitos, a indicação já é uma vitória. "Ver o Brasil concorrendo em categorias tão importantes renova nosso orgulho", diz Mariana. "É emocionante pensar que uma história nossa, tão crua e verdadeira, está chegando ao mundo. Espero que inspire mais produções a não terem medo de abordar nosso passado."
Além do impacto cultural, a indicação traz um senso de unidade. "No Carnaval, celebramos a alegria; no Oscar, celebramos nossa arte. São faces da mesma moeda: a identidade brasileira", reflete João Pedro Silva, farmacêutico e cineasta amador de Salvador. "Esse filme não é só sobre a Eunice. É sobre todos que resistem. E ver farmacêuticos, médicos, professores — gente que trabalha duro o ano todo — se mobilizando por isso? Isso é Brasil."
Enquanto Fernanda Torres prepara seu discurso e o país segura a respiração, uma coisa é certa: na próxima semana, entre fantasias e serpentinas, o verde e amarelo também brilhará sob os holofotes de Hollywood.