Natanzinho de Lima admite misturar Venvanse e álcool; farmacêuticos alertam para os riscos
Profissionais de saúde reforçam a necessidade de uso racional, fiscalização de receitas e cuidados para evitar a dependência de medicamentos como Venvanse e Ritalina
A recente declaração do cantor Natanzinho de Lima no podcast Podpah, admitindo o uso de cápsulas de Venvanse para suportar sua rotina intensa de shows, trouxe novamente à tona um debate preocupante sobre a saúde pública. O uso de estimulantes do sistema nervoso central, categoria que engloba a lisdexanfetamina (Venvanse) e o metilfenidato (Ritalina e Concerta), vem deixando de ser uma exclusividade terapêutica para se transformar em um artifício perigoso adotado por profissionais exaustos, universitários e concurseiros que buscam melhorar o rendimento a qualquer custo.
Popularizados erroneamente como pílulas da inteligência sob a promessa de turbinar o foco e a energia, esses medicamentos não possuem comprovação científica de que aumentam a capacidade intelectual de indivíduos saudáveis. Especialistas alertam que o ganho de produtividade é ilusório e artificial. Sem o diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou da narcolepsia, distúrbios para os quais essas substâncias foram desenvolvidas, o cérebro é submetido a uma sobrecarga química desnecessária, cujas consequências clínicas podem ser graves.
Os profissionais farmacêuticos alertam que o uso de medicamentos como a lisdexanfetamina e o metilfenidato fora das indicações clínicas corretas traz sérios riscos à integridade física e mental. Desenvolvidos especificamente para o tratamento do TDAH e da narcolepsia, esses psicoestimulantes alteram a dinâmica dos neurotransmissores nas sinapses cerebrais. Quando consumidos por pessoas sem o diagnóstico adequado, em busca de ganho de produtividade ou energia, o cérebro é exposto a uma sobrecarga química desnecessária, que pode resultar em dependência física e psíquica rápida.
Os riscos do consumo indiscriminado incluem reações adversas graves que comprometem diretamente o organismo. Farmacêuticos apontam que os efeitos colaterais mais comuns vão desde episódios de ansiedade severa, insônia crônica e dores de cabeça intensas, até complicações mais complexas, como taquicardia, perda severa de apetite, alucinações e a piora significativa de transtornos psiquiátricos preexistentes. A falsa sensação de foco promovida por essas substâncias mascara a exaustão real do corpo, criando um ciclo perigoso de desgaste biológico.
Como guardiões da segurança dos medicamentos, os farmacêuticos orientam a população a jamais iniciar o tratamento ou compartilhar essas cápsulas sem uma avaliação médica minuciosa e a devida prescrição. No cotidiano das farmácias, esses profissionais atuam sob regras rígidas de controle sanitário, sendo responsáveis por avaliar e reter a Notificação de Receita A (o documento amarelo exigido por lei para psicotrópicos), assegurando que o produto chegue apenas a quem realmente necessita.
Para quem possui indicação terapêutica legítima, as orientações de segurança envolvem o cumprimento rigoroso das doses prescritas, o armazenamento seguro do frasco longe do alcance de terceiros e a atenção contínua a qualquer sintoma incomum. Os farmacêuticos reforçam que qualquer mudança no comportamento ou o surgimento de efeitos colaterais devem ser imediatamente comunicados ao profissional de saúde responsável, viabilizando o manejo correto ou o desmame seguro do medicamento e priorizando sempre o uso racional.