CFF avalia definição de diretrizes no dimensionamento da força de trabalho farmacêutica

A ideia é definir diretrizes para o dimensionamento correto da atuação do farmacêutico para garantir um atendimento mais seguro e adequado à população

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Uma proposta para que o Conselho Federal de Farmácia (CFF) possa definir diretrizes para o correto dimensionamento da força de trabalho na assistência farmacêutica foi apresentada na Reunião Plenária do dia 20 de fevereiro. A ideia é levantar proporções ideais de farmacêuticos para atender as demandas de cada serviço de saúde no contexto em que estão inseridos. A distribuição seria feita com base em evidências e relacionada ao número de processos a serem gerenciados pelos profissionais, gerando benefícios para Sistema Único de Saúde (SUS), para a população e para os próprios farmacêuticos da Atenção Primária à Saúde. 

O estudo foi levado ao plenário pelos conselheiros federais de Farmácia do Rio Grande do Sul, Roberto Canquerini (titular) e Leonel Almeida (suplente). Para exemplificar o contexto, iniciaram com a pergunta: "será que uma farmácia que atende mil pessoas por dia deve ter o mesmo número de farmacêuticos que um serviço que atende 100 pacientes por dia?". 

Leonel Almeida, que é membro do Grupo de Trabalho sobre Saúde Pública do CFF, explica que para calcular o número adequado de farmacêuticos necessários em um serviço de saúde, é fundamental que essa avaliação não se restrinja ao horário de funcionamento e que leve em consideração a demanda assistencial atendida pelos profissionais. "A manutenção dessa proporção é essencial para a ampliar a resolutividade e eficiência dos serviços de saúde", reforça.

A proposta inicial foi dividida em três âmbitos de atuação: saúde pública, farmácia hospitalar e farmácia comunitária, trazendo métricas específicas para o correto dimensionamento da força de trabalho da assistência farmacêutica em cada um desses serviços.

O estudo relaciona números de profissionais, porte dos municípios, a proporção de pacientes em acompanhamento em cada serviço especializada, a carga horária do serviços, número de leitos e a sua classificação pela complexidade do cuidado dos pacientes. São apontadas estratégias relacionadas ao componente especializado (medicamentos oncológicos, para doenças raras e para transplantados), Serviços de Atenção Especializada (SAE), como aqueles que envolvem a assistência a pacientes no tratamento de hanseníase, hepatites virais, HIV/Aids, tuberculose e malária, por exemplo. "Esses serviços exigem uma proporção maior de farmacêuticos devido à complexidade do manejo de medicamentos e ao acompanhamento clínico do paciente", explica o especialista.

Como impacto da correta estimativa da força de trabalho dos farmacêuticos são apontados fatores como a ampliação do acesso aos medicamentos, maior segurança do paciente, melhor adesão terapêutica com consequente redução de internações e economia para o Sistema de Saúde e serviços hospitalares.

Benefício para os profissionais

O correto dimensionamento da força de trabalho da assistência farmacêutica também pode gerar benefícios à saúde dos profissionais. A dispensação de medicamentos, a orientação de pacientes e as ações de promoção prevenção e recuperação da saúde são atividades que devem contar com uma cobertura adequada e acompanhamento pelo farmacêutica e, por isso, o ideal é que sejam executadas por aqueles que tenham maior afinidade com cada função e sem gerar o acúmulo de funções.

Esta proposta de dimensionamento do trabalho dos farmacêuticos, se conecta a outro propósito do CFF: o de promover maior cuidado e atenção à saúde mental das pessoas, inclusive da própria categoria. Considerando essa preocupação, o conselho está preparando um curso para habilitar farmacêuticos na área da saúde mental, que deverá ser lançado em breve.