Dois novos casos de remissão do HIV são anunciados e renovam esperança na busca por uma cura

Pacientes permaneceram mais de um ano sem medicamentos antirretrovirais e continuam sem sinais detectáveis do vírus

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Dois novos casos de remissão prolongada do HIV foram anunciados por pesquisadores e serão apresentados durante a 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, realizada nesta semana no Rio de Janeiro. Com os novos registros, chega a 13 o número de pessoas no mundo consideradas em remissão de longo prazo ou possivelmente curadas após tratamentos altamente específicos.

Os dois pacientes interromperam o uso da terapia antirretroviral sob rigoroso acompanhamento médico e, até o momento, continuam sem apresentar carga viral detectável. Um deles, conhecido como "paciente de Kansas City", está há 14 meses sem os medicamentos. O outro completou um ano sem tratamento, mantendo o vírus indetectável nos exames.

A carga viral é a quantidade de HIV presente no sangue. Quando ela é considerada indetectável, significa que o vírus está em níveis tão baixos que não pode ser identificado pelos exames disponíveis. Pessoas que mantêm esse resultado com o tratamento adequado também não transmitem o HIV por via sexual, princípio conhecido como "Indetectável = Intransmissível (I=I)". No entanto, isso não significa, necessariamente, que o vírus tenha sido eliminado do organismo.

Os dois casos têm uma característica em comum: ambos os pacientes passaram por transplantes de células-tronco para tratar doenças graves do sangue, como leucemia. Os doadores apresentavam uma rara mutação genética chamada CCR5-delta32, que dificulta a entrada das variantes mais comuns do HIV nas células do sistema imunológico.

O paciente de Kansas City foi diagnosticado com HIV e uma forma agressiva de leucemia em 2018. Após o transplante realizado em 2020, precisou receber uma nova infusão de células-tronco devido a complicações. A terapia antirretroviral foi suspensa em fevereiro de 2025 e, desde então, os exames seguem sem identificar vírus circulante ou células infectadas capazes de reativar a infecção.

O segundo paciente também recebeu células-tronco de um doador com a mutação CCR5-delta32. O caso era considerado ainda mais desafiador porque o vírus utilizava diferentes mecanismos para infectar as células. Mesmo assim, após mais de quatro anos do transplante e um ano sem antirretrovirais, os pesquisadores não encontraram sinais de vírus com capacidade de se replicar nem material genético completo do HIV em amostras analisadas.

Apesar dos resultados promissores, os especialistas alertam que esse tipo de procedimento não é uma estratégia de tratamento para a maioria das pessoas que vivem com HIV. O transplante de células-tronco apresenta riscos elevados e só é indicado para pacientes que já necessitam desse tratamento por causa de doenças hematológicas graves, como alguns tipos de leucemia ou linfoma.

No segundo caso, os médicos observaram que a interrupção dos antirretrovirais levou ao retorno da multiplicação do vírus da hepatite B em menos de um mês, já que parte dos medicamentos também controlava essa infecção. O episódio reforça a necessidade de acompanhamento clínico rigoroso em situações como essa.

Atualmente, a terapia antirretroviral continua sendo a principal estratégia para controlar o HIV. Quando utilizada corretamente, ela permite que as pessoas tenham qualidade de vida, expectativa de vida semelhante à da população geral e impeçam a transmissão sexual do vírus. Enquanto isso, pesquisas sobre terapias gênicas, transplantes e novas abordagens seguem em andamento na busca por uma cura segura e acessível.