Revisão da Política Nacional de Atenção Básica deve fortalecer atuação do farmacêutico no SUS

Nova PNAB está em discussão pelo Ministério da Saúde e pode ampliar a integração entre os profissionais da atenção primária

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A revisão da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), em discussão pelo Ministério da Saúde, promete redesenhar diretrizes para o funcionamento da atenção primária no Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa é que a nova versão da política seja publicada até o fim deste ano, incorporando propostas para enfrentar desafios como a sobrecarga das equipes, a organização da rede de cuidados e o fortalecimento da integração entre os diferentes níveis de atenção.

O tema esteve no centro dos debates durante o 2º Congresso Sudeste de Medicina de Família e Comunidade, realizado no Rio de Janeiro. Especialistas, gestores e representantes de entidades científicas defenderam uma atualização da PNAB capaz de responder às transformações demográficas, epidemiológicas e sociais vividas pelo país, preservando os princípios da atenção primária como porta de entrada preferencial do SUS.

Nesse cenário, o farmacêutico ocupa posição estratégica. Presente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), o profissional é responsável por muito mais do que a dispensação de medicamentos. Sua atuação envolve a gestão da assistência farmacêutica, o acompanhamento farmacoterapêutico, a promoção do uso racional de medicamentos, a orientação aos pacientes e a prevenção de problemas relacionados aos tratamentos, contribuindo para melhores resultados clínicos e maior segurança no cuidado.

A revisão da PNAB também abre espaço para ampliar a integração do farmacêutico às equipes multiprofissionais. A participação desse profissional nas decisões clínicas, no monitoramento de pacientes com doenças crônicas e nas ações de promoção da saúde fortalece a resolutividade da atenção primária e reduz encaminhamentos desnecessários para serviços de maior complexidade.

Segundo o secretário-geral do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Gustavo Pires, o fortalecimento da atenção primária passa, necessariamente, pela valorização dos farmacêuticos. "A assistência farmacêutica é um dos pilares do SUS, mas ainda convivemos com equipes reduzidas e profissionais sobrecarregados. A revisão da PNAB deve contemplar a ampliação do número de farmacêuticos na atenção primária, assegurando estruturas adequadas, equipes completas e condições dignas de trabalho. Valorizar esses profissionais é investir na qualidade do cuidado, na segurança dos pacientes e na resolutividade do sistema de saúde", destaca.

Outro aspecto considerado essencial é a organização da assistência farmacêutica. Garantir planejamento, abastecimento regular de medicamentos e qualificação dos serviços prestados nas farmácias das unidades de saúde é um dos pilares para assegurar a continuidade dos tratamentos e ampliar o acesso da população às terapias prescritas.

Para especialistas, uma atenção básica mais resolutiva depende do reconhecimento das competências de todos os profissionais que compõem as equipes de saúde. Nesse contexto, valorizar a atuação clínica e assistencial do farmacêutico representa um avanço para a qualidade do atendimento oferecido pelo SUS e para a construção de um modelo de cuidado mais integrado, eficiente e centrado nas necessidades dos cidadãos.