CFF e Univasf firmam protocolo de intenções para ampliar acessibilidade no cuidado farmacêutico
Parceria formaliza compromisso de continuidade do Programa FarmaLibras, referência nacional em inclusão da comunidade surda nos serviços farmacêuticos
Na manhã desta sexta-feira, 29 de maio, durante a 567ª Reunião Plenária Ordinária, realizada em Petrolina (PE), o Conselho Federal de Farmácia (CFF) reafirmou sua parceria com a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) em favor da inclusão e da acessibilidade na assistência farmacêutica para pessoas surdas. Há oito anos, as duas instituições desenvolvem, de forma conjunta, estratégias que facilitam a comunicação entre ouvintes e surdos usuários da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Agora, formalizam esse compromisso por meio de um protocolo de intenções voltado à continuidade e ao fortalecimento dessas iniciativas.
O documento foi assinado pelo presidente do CFF, Walter da Silva Jorge João, pelo reitor da Univasf, Télio Leite, e pelos coordenadores do Programa FarmaLibras, os professores Tarcísio Palhano e Deuzilane Muniz Nunes. Durante a apresentação realizada na plenária, a professora Deuzilane destacou os resultados alcançados pelo programa e fez um apelo para que a iniciativa seja incorporada de forma permanente às práticas de ensino, pesquisa, extensão e assistência farmacêutica em todo o país.
“Se queremos que o farmacêutico seja, de fato, profissional da saúde para todas as pessoas, a inclusão e a acessibilidade devem crescer cada vez mais em todas as nossas práticas”, enfatizou a docente ao defender a continuidade e a expansão do programa. A professora também conclamou os conselheiros federais, docentes, farmacêuticos clínicos, gestores e instituições de ensino a assumirem o compromisso de formar profissionais cada vez mais inclusivos e preparados para atender à comunidade surda.
Criado para estimular o aprendizado de Libras entre farmacêuticos brasileiros e desenvolver ferramentas de comunicação voltadas às pessoas surdas, o FarmaLibras reúne uma ampla rede de colaboradores distribuídos pelas cinco regiões do país. Atualmente, o programa conta com mais de 100 participantes, oriundos de 21 estados e do Distrito Federal, incluindo 14 pessoas surdas e profissionais das áreas de Farmácia, Libras, Engenharia da Computação, Medicina e Enfermagem.
Entre os principais resultados alcançados está o Curso de Libras para Farmacêuticos, disponibilizado na plataforma Edufarma, que registrou 17.268 inscritos em todo o Brasil, entre farmacêuticos e estudantes do último ano da graduação. A iniciativa contribui para a qualificação dos profissionais e amplia as condições de acesso da população surda aos serviços farmacêuticos.
A apresentação também evidenciou o desenvolvimento do Aplicativo Web FarmaLibras, ferramenta criada para facilitar a comunicação entre farmacêuticos e pacientes surdos nos serviços de saúde públicos e privados. O sistema oferece recursos de atendimento farmacêutico em Libras, vocabulário farmacêutico bilíngue e conteúdos educativos voltados à promoção do uso racional de medicamentos, fortalecendo a integração entre surdos e ouvintes no cuidado em saúde. E agora ganha uma versão para celulares.
Outro destaque do programa é a produção do Vocabulário Terminográfico Farmacêutico Bilíngue (Português-Libras), obra considerada inovadora por reunir terminologias da área farmacêutica em formato acessível para surdos e ouvintes, fortalecendo a comunicação em saúde e contribuindo para a inclusão linguística. O primeiro volume reúne conceitos básicos da área farmacêutica, informações presentes na bula, conteúdos relacionados à fitoterapia e classes terapêuticas, acompanhados de definições, exemplos de uso e vídeos em Libras.
Durante a apresentação, a professora Deuzilane também anunciou a conclusão do Volume 2 do Vocabulário FarmaLibras, que amplia o trabalho desenvolvido pela equipe ao incorporar novos verbetes relacionados às vias e formas de administração de medicamentos, formas farmacêuticas, embalagens de medicamentos e temas afins da atuação farmacêutica. A nova publicação será entregue oficialmente durante o IV Congresso Brasileiro de Ciências Farmacêuticas, que será realizado de 11 a 13 de novembro, em Belém (PA). A iniciativa reforça o compromisso do programa com a produção de conhecimento acessível e com a ampliação dos recursos de comunicação destinados à comunidade surda.
Em um dos momentos mais marcantes da apresentação, Deuzilane chamou a atenção para a necessidade de garantir a continuidade do projeto. Ao questionar: “E depois, o FarmaLibras encerra suas atividades?”, a professora defendeu que a inclusão e a acessibilidade sejam incorporadas de forma permanente à formação e à prática profissional farmacêutica. Segundo ela, se a profissão deseja atender efetivamente todas as pessoas, é necessário que esses princípios estejam presentes em todas as ações desenvolvidas pelos farmacêuticos.