Butantan e governo federal fecham parceria para produzir imunoterapia contra o câncer no Brasil

Acordo com a MSD prevê transferência de tecnologia e pode ampliar a oferta do pembrolizumabe no SUS, hoje restrita a poucas indicações

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O governo federal anunciou uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) que permitirá a produção nacional do pembrolizumabe, imunoterapia utilizada no tratamento de diferentes tipos de câncer. O acordo envolve o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan e a farmacêutica MSD, com transferência de tecnologia para que o medicamento passe a ser fabricado no Brasil ao longo do processo pactuado entre as instituições.

Segundo o Ministério da Saúde, o pembrolizumabe já é ofertado no SUS para melanoma avançado não cirúrgico e metastático. O governo informa ainda que a ampliação do uso dessa terapia para câncer de mama, pulmão, esôfago e colo do útero está em análise pela Conitec, etapa necessária para eventual incorporação no sistema público.

A imunoterapia atua de forma diferente da quimioterapia tradicional: em vez de destruir diretamente as células tumorais, ela ajuda o próprio sistema imunológico a reconhecer e atacar o câncer. Na avaliação do governo, a produção nacional pode reduzir custos e aumentar o acesso ao tratamento na rede pública, hoje limitado pelo alto valor do medicamento na assistência privada.

De acordo com a Agência Brasil, a iniciativa pode beneficiar cerca de 13 mil pacientes por ano quando estiver plenamente implantada no SUS. O plano prevê que o Butantan absorva a tecnologia gradualmente, consolidando uma cadeia produtiva nacional para um dos tratamentos oncológicos mais usados no mundo.