Governo de Minas anuncia desativação definitiva do Hospital Colônia de Barbacena
Últimos 14 pacientes serão transferidos para outra unidade do município; espaço ficou marcado na história brasileira pelas violações de direitos humanos cometidas ao longo do século 20
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), anunciou nesta segunda-feira (27/4) o fechamento definitivo do Hospital Colônia, em Barbacena, instituição que já foi considerada o maior sanatório do país. A medida prevê a transferência dos últimos pacientes, pessoas sem vínculos familiares, para outras unidades, encerrando de forma definitiva o funcionamento do espaço.
Segundo o governo estadual, a desativação ocorre no contexto das mudanças nas políticas de saúde mental, que priorizam o cuidado em liberdade e a substituição de grandes instituições por redes de atenção psicossocial. Atualmente, o número de internos é reduzido, o que viabiliza o encerramento da estrutura.
O Hospital Colônia se tornou um dos maiores símbolos de violações de direitos humanos no Brasil ao longo do século 20. Estima-se que mais de 60 mil pessoas tenham morrido no local, muitas delas sem diagnóstico de transtorno mental, vítimas de abandono, maus-tratos e práticas desumanas.
Documentário resgata memória das vítimas
A história do Colônia ganhou repercussão internacional com o documentário “Holocausto Brasileiro”, disponível na Netflix, baseado no livro da jornalista Daniela Arbex. A produção reúne depoimentos de sobreviventes, ex-funcionários e especialistas, além de expor as condições degradantes enfrentadas pelos internos ao longo de décadas.
O filme relembra que o hospital funcionava como um “depósito” de pessoas marginalizadas, incluindo mulheres, pobres, homossexuais e indivíduos sem qualquer diagnóstico psiquiátrico — e ajuda a consolidar a memória histórica sobre o caso, considerado um dos episódios mais graves de violação de direitos humanos no país.
Com o fechamento definitivo do espaço, o governo afirma encerrar não apenas uma estrutura física, mas também um capítulo marcado por exclusão e violência, ao mesmo tempo em que reacende discussões sobre o modelo de atenção em saúde mental no Brasil contemporâneo.