Cuidado farmacêutico no envelhecimento feminino e na menopausa

“Envelhecimento feminino e menopausa” será palestra no IV Congresso Brasileiro de Ciências Farmacêuticas, a ser realizado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), em Belém, de 11 a 13 de novembro

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O cuidado farmacêutico no processo de envelhecimento da mulher é fundamental para ajudar a garantir a sua qualidade de vida. A afirmação é da farmacêutica Renata Gonçalves, de São Paulo. “Envelhecer não é uma doença. Porém sintomas que comprometem a sua qualidade de vida não devem ser ignorados”, alerta a Dra. Renata, especialista no assunto. Ela vai proferir a palestra “Envelhecimento feminino e menopausa” no IV Congresso Brasileiro de Ciências Farmacêuticas, a ser realizado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), em Belém (PA), de 11 a 13 de novembro de 2026. Renata Gonçalves deu uma entrevista à revista PHARMACIA BRASILEIRA / CFF. A página do Conselho traz um resumo da entrevista.

QUEM É - Renata Gonçalves graduou-se farmacêutica pela Universidade Católica de Santos e se especializou em gestão de pessoas, farmácia estética, cosmetologia e saúde estética. Atua em estética facial e corporal, desde 2007, e tem habilitação em saúde estética. A Dra. Renata concilia a prática clínica com a docência em cursos de pós-graduação e integra o grupo técnico de farmácia estética do Conselho Federal de Farmácia o qual ela coordenou, de 2022 a 2025. É, ainda, diretora da Sociedade Brasileira Científica de Farmácia Estética.

Dra. Renata acrescenta que o olhar clínico do farmacêutico, em diálogo com outros profissionais, pode oferecer informação, segurança e opções de cuidado baseadas em evidências. Ela explica que o cuidado deve começar pela escuta e pelo conhecimento das mudanças que cada mulher vivencia no climatério e na menopausa. Segundo a farmacêutica, sono, humor, saúde óssea e cardiovascular, sexualidade e qualidade de vida podem ser afetados de formas diferentes. “Não existe uma experiência única nesta fase”, continua.

ESTÉTICA, REPOSIÇÃO HORMONAL E SAÚDE – Ao discorrer sobre o envelhecimento feminino e a menopausa, no IV Congresso, Renata Gonçalves avançará para assuntos com os quais o tema central tem relação, como a estética, a segurança no uso de produtos estéticos e medicamentos, o autocuidado, a autoestima e outros. Neste contexto, realçou a Dra. Renata, as ações do farmacêutico são essenciais no processo de envelhecimento da mulher, “ajudando-a a distinguir um cuidado que promova o seu bem-estar da imposição estética que traz sofrimento”.

Questionamos a Dra. Renata Gonçalves sobre quando a estética deixa de ser saudável no processo de envelhecimento feminino e se transforma numa patologia, inclusive mental. Resposta: “A estética é saudável, quando parte de uma escolha livre e informada contribui para o bem-estar e envolve expectativas realistas, indicação adequada e procedimentos seguros. O alerta surge, quando a preocupação com a aparência provoca sofrimento persistente, insatisfação constante ou necessidade de intervenções sucessivas”. A farmacêutica adverte, ainda, que esses sinais merecem acolhimento e, quando necessário, avaliação por profissionais de saúde mental.

PADRÕES INALCANÇÁVEIS - Outro grave alerta é dirigido às redes sociais que, segundo a farmacêutica de São Paulo, podem reforçar padrões inalcançáveis e fazer a mulher acreditar que envelhecer é um defeito. “Por isto, precisamos oferecer informação qualificada e avaliar cada pessoa em sua individualidade, sem transformar a juventude eterna em objetivo de cuidado”, exclama.

Para Renata Gonçalves, “procedimentos estéticos podem tratar alterações da aparência, mas isso não significa que retardem o envelhecimento biológico”. Ela ponderou que a ciência busca compreender esse processo e melhorar a saúde e a qualidade de vida da mulher, ao longo dos anos.

TERAPIA HORMONAL – “Na menopausa, também, ampliamos o conhecimento sobre os sintomas e as possibilidades de tratamento. A terapia hormonal pode ser uma opção para determinadas mulheres, após avaliação individual de benefícios, riscos, contraindicações e preferências”, indicou. Mas observa: “Ela não é uma promessa de rejuvenescimento, nem uma solução igual para todas”.

A palestrante do Congresso Farmacêutico cita a si própria como exemplo. “Eu mesma ouvi que deveria simplesmente aceitar sintomas que prejudicavam minha qualidade de vida, porque faziam parte do envelhecimento. Essa experiência reforçou minha convicção de que a mulher não deve ter seu sofrimento ignorado. Ela precisa de informação qualificada, avaliação adequada e espaço para participar das decisões sobre seu cuidado”, continua a farmacêutica.

ENTUSIASMO – A farmacêutica Renata Gonçalves afirmou estar “muito entusiasmada” com o IV Congresso Brasileiro de Ciências Farmacêuticas. “Quero reunir o conhecimento técnico e minha vivência como mulher 50+ para discutir a desinformação, a pressão por uma juventude eterna e a forma como os profissionais de saúde acolhem as mulheres nessa fase”, conclui.