Saúde mental do farmacêutico: quem cuida também precisa de cuidado
No Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, CFF destaca a importância de acolher os profissionais que enfrentam sofrimento psíquico e incentivar a busca por ajuda.
“Alguns farmacêuticos chegam ao curso de formação em saúde mental buscando conhecimento para aprimorar o cuidado oferecido aos pacientes. Durante as atividades, porém, alguns acabam percebendo que também precisam olhar para a própria saúde”. A experiência vivenciada pela equipe responsável pelo Curso de Habilitação em Saúde Mental, oferecido pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), tem mostrado que, por trás do profissional que cuida, também pode existir alguém em sofrimento e que precisa ser acolhido.
Esse é um dos aspectos que ganham destaque no Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro. A data foi instituída em 1992 pela Federação Mundial para Saúde Mental (World Federation for Mental Health) e busca ampliar a conscientização sobre a importância da saúde mental e do cuidado com as pessoas que enfrentam transtornos mentais.
O farmacêutico está entre os profissionais que podem contribuir para esse cuidado. Além de orientar pacientes sobre o uso correto dos medicamentos e acompanhar aspectos relacionados à farmacoterapia, ele pode ajudar a identificar dificuldades durante o tratamento e encaminhar o paciente para outros profissionais quando necessário.
Mas essa responsabilidade de cuidar não deve fazer com que o farmacêutico deixe a própria saúde em segundo plano. Quem cuida também precisa ser cuidado.
A coordenadora do Grupo de Trabalho sobre Educação Continuada do CFF, Walleri Reis, relata que, durante os encontros do curso, a equipe tem encontrado profissionais muito interessados em atuar na área, mas também farmacêuticos que chegam à formação já vivenciando algum tipo de sofrimento psíquico.
Segundo Walleri, em algumas situações, os professores precisaram oferecer acolhimento e orientação individualizada aos participantes. “Houve ainda relatos de sofrimento intenso, incluindo pensamentos suicidas e de autoagressão, que demandaram atenção da equipe e encaminhamento para avaliação e cuidado”, afirma.
A experiência reforçou a importância de aproximar esses profissionais dos serviços de saúde, sempre preservando a privacidade de cada participante. “Quando necessário, as demandas são direcionadas para os serviços adequados da rede, especialmente nos casos que exigem atendimento de urgência”, diz.
Para Walleri, as situações vivenciadas durante a formação deixaram uma mensagem importante: é preciso cuidar de quem cuida. O curso, além de preparar farmacêuticos para uma atuação mais qualificada em saúde mental, também tem permitido reconhecer que esses profissionais podem precisar de acolhimento, escuta e tratamento.
Neste Dia Mundial da Saúde Mental, o CFF reforça que buscar ajuda também é uma forma de cuidado. Para o farmacêutico, reconhecer sinais de sofrimento em si mesmo e procurar outro profissional de saúde quando necessário é tão importante quanto orientar e acompanhar aqueles que chegam até ele em busca de cuidado.