Como o farmacêutico pode atuar na suplementação personalizada

“Suplementação personalizada: como o farmacêutico pode atuar?” será tema da palestra que a farmacêutica Alyne Lima irá proferir no IV Congresso Brasileiro de Ciências Farmacêuticas

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As fórmulas (de vitaminas, minerais, aminoácidos, fitoterápicos e nutrientes) ajustadas para atender às necessidades biológicas e aos propósitos de cada pessoa constituem o que se denomina suplementação personalizada, uma conduta terapêutica ou preventiva que vem atraindo farmacêuticos do Brasil inteiro, paralelamente ao forte crescimento do mercado de suplementos. “Suplementação personalizada: como o farmacêutico pode atuar?” será tema da palestra que a farmacêutica Alyne Lima irá proferir no IV Congresso Brasileiro de Ciências Farmacêuticas, que será realizado pelo Conselho Federal de Farmácia, em Belém (PA), de 11 a 13 de novembro de 2026. Entrevista completa com a Dra. Alyne Lima sobre suplementação será publicada na edição de nº 105 da revista PHARMACIA BRASILEIRA

Autoridade no assunto, a Dra. Alyne Lima enfatiza a importância do cuidado farmacêutico à pessoa que faz uso de suplementos. “O farmacêutico possui uma posição muito interessante nesse cuidado, porque ele conhece tanto os nutrientes e suplementos, quanto os medicamentos utilizados pelo paciente, o que permite uma avaliação que vai além da escolha de um produto”, explica a farmacêutica, que é doutora em biotecnologia e em medicina investigativa pela Fiocruz.

CONSULTA FARMACÊUTICA - Alyne Lima acrescenta: “Durante a consulta farmacêutica, investigamos medicamentos em uso, suplementos que o paciente já utiliza, hábitos alimentares, objetivos, queixas, condições clínicas e, quando disponíveis e pertinentes, exames laboratoriais. A partir daí, é possível identificar necessidades, riscos, duplicidades e potenciais interações”.

A suplementação personalizada, observa a farmacêutica, parte do princípio de que a necessidade de um nutriente não é igual para todas as pessoas. Alyne Lima argumenta que a idade, a alimentação, a prática de atividade física, o uso de medicamentos, as condições clínicas, as alterações na absorção, por exemplo, podem modificar essas necessidades. “Vitaminas e minerais participam de inúmeros processos fisiológicos. Atuam como cofatores de reações enzimáticas, participam do metabolismo energético, da saúde muscular e óssea e de diferentes mecanismos envolvidos na manutenção da homeostase”, observa a doutora em biotecnologia e medicina investigativa.

Ela alerta para o fato de o suplemento não substituir a alimentação equilibrada, a atividade física, o sono adequado nem o tratamento de uma doença já estabelecida. O suplemento complementa, quando existe indicação. E o farmacêutico, aponta a Dra. Alyne Lima, pode atuar na orientação, educação em saúde, acompanhamento dos resultados e discutir aspectos, como dose, forma de administração, duração e adesão ao uso.

SEGURANÇA – O cuidado farmacêutico na suplementação representa segurança para o usuário de suplementos, porque reduz o uso desnecessário e os riscos associados ao uso. Alyne Lima chama a atenção para uma ideia muito difundida de que, por se tratar de vitamina, mineral ou outro nutriente, não há risco no uso, mas ele existe. “Dose, tempo de uso, condições clínicas e associações com medicamentos ou outros suplementos precisam ser considerados”, alerta.

A farmacêutica a cita como exemplo comum de risco a duplicidade de produtos. Ela explica: “O paciente utiliza um multivitamínico, um produto direcionado para cabelo e unhas e outro para desempenho físico. Quando analisamos as formulações, percebemos que alguns nutrientes estão presentes nos três produtos”.

RISCOS POR FALTA DE ORIENTAÇÃO - A farmacêutica expressa preocupação com os riscos contidos no uso de suplementos sem a orientação profissional. Segundo ela, há riscos, por exemplo, quando envolve doses elevadas, uso prolongado ou associação de vários produtos. Diz que alguns nutrientes podem apresentar toxicidade, quando utilizados em excesso.

“Vitaminas lipossolúveis, por exemplo, apresentam características farmacocinéticas que favorecem seu armazenamento no organismo. Minerais, também, podem interferir na absorção de outros elementos ou interagir com medicamentos. Além disso, determinados suplementos podem modificar a resposta a uma farmacoterapia, aumentando ou reduzindo seus efeitos”, alerta. Segundo a farmacêutica, existe, ainda, um risco que recebe menos atenção: mascarar um problema clínico, ainda, não diagnosticado.

BANALIZAÇÃO E MODA - Perguntamos à Dra. Alyne se está havendo abuso e banalização no uso de suplementos e se os usuários estariam sendo estimulados por alguma moda ou por questões meramente estéticas, como os padrões de beleza. Resposta: “Em diversos contextos, sim. Existe uma banalização. As redes sociais transformaram determinados suplementos em tendências”. Alyne Lima conclui com outro alerta: “O problema começa, quando o marketing puramente comercial passa a ocupar o espaço que deveria ser da evidência científica”.

CRESCIMENTO DO MERCADO – O boletim econômico da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) referente aos nove primeiros meses de 2024 aponta para um crescimento da ordem de 5,8% no consumo aparente de complementos alimentares e suplementos vitamínicos em relação ao mesmo período de 2023. A associação, em outro levantamento, apurou que seis em cada dez brasileiros já utilizam esses produtos como forma de complementar a alimentação.

MAIOR CONGRESSO FARMACÊUTICO - Um marco para a profissão farmacêutica, no Brasil, é o mínimo que se pode dizer do “IV Congresso CFF de Ciências Farmacêuticas”, a ser realizado, de 11 a 13 de novembro de 2026, no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém (PA). Farmacêuticos de todas as regiões do país e do exterior participarão do encontro em que poderão fazer trocas científicas e profissionais e debater tendências globais da profissão farmacêutica e os desafios contemporâneos da saúde. Já é considerado o maior congresso farmacêutico da história do País.