Farmácia Popular 4.0 deve remunerar serviços farmacêuticos, defende CFF
Em reunião no Ministério da Saúde, Walter Jorge João classificou a inclusão dos serviços como “um salto gigantesco” e reafirmou posição contrária às consultas médicas dentro das farmácias
A modernização do Farmácia Popular precisa ir além da ampliação do acesso a medicamentos e reconhecer o cuidado prestado diretamente à população. Com essa posição, o presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter da Silva Jorge João, defendeu a inclusão de serviços farmacêuticos remunerados na nova etapa do programa.
A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (16/9), durante reunião no Ministério da Saúde que marcou o início das discussões do Comitê de Acompanhamento do Programa
Farmácia Popular, do qual o CFF é integrante.
O comitê é voltado à modernização e à expansão do Farmácia Popular.
“Nós somos favoráveis aos serviços farmacêuticos nas farmácias. Eu acho que esse será um salto gigantesco”, afirmou Walter Jorge João.
Para o CFF, a capilaridade das farmácias e a presença permanente dos farmacêuticos junto à população permitem que o programa avance também na oferta de cuidado, com acompanhamento dos pacientes, estímulo à adesão ao tratamento e promoção do uso seguro e racional dos medicamentos.
Farmácia Popular 4.0
A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, afirmou que o comitê discutirá a oferta de novos serviços e procedimentos, a ampliação da cobertura e o uso de tecnologias como a biometria para a retirada de medicamentos.
“Queremos ter uma Farmácia Popular 4.0, ainda mais próxima do cidadão, mais eficiente e mais completa”, declarou.
Para o CFF, se o programa pretende ampliar os serviços oferecidos aos usuários, o cuidado farmacêutico e a remuneração dos profissionais precisam ocupar lugar central nessa transformação.
CFF rejeita consultas médicas dentro das farmácias
Walter Jorge João também deixou clara a posição contrária do CFF à realização de consultas médicas por telemedicina dentro das farmácias. Ao abordar o tema, diferenciou essa proposta da telefarmácia, prática regulamentada pelo conselho e diretamente relacionada à assistência prestada pelo farmacêutico.
“A telessaúde é ampla e, dentro da telessaúde, está estabelecida a telefarmácia, regulamentada pelo Conselho Federal de Farmácia”, ressaltou.
A posição contrária às consultas médicas por telemedicina dentro das farmácias também foi manifestada por Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma).
Além dos representantes do ministério e do CFF, estiveram presentes a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Federação Nacional dos Farmacêuticos (FENAFAR), a Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (ABCFARMA), Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (Progenéricos), a Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (ALANAC), Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (ABRAFARMA) e a Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (FEBRAFAR).