CFF participa da reunião de trabalho sobre as estratégias de implementação da iniciativa HEARTS

Representante do CFF participou das atividades sobre a iniciativa HEARTS, realizada entre os dias 12 e 14 de agosto de 2026, na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS)

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O Conselho Federal de Farmácia (CFF) participou das atividades sobre a iniciativa HEARTS, realizada entre os dias 12 e 14 de agosto de 2026, na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), em Brasília. O convite oficial, formalizado pelo representante da OPAS/OMS no Brasil, Cristian Morales, foi direcionado ao presidente do CFF, Walter da Silva Jorge João, consolidando o papel estratégico dos farmacêuticos na saúde pública.

Na ocasião, o conselho foi representado nos três dias de evento pela farmacêutica Josélia Frade, que acompanhou de perto os debates e painéis técnicos focados no fortalecimento da prevenção e do manejo integrado do risco cardiovascular no Sistema Único de Saúde (SUS).

Foco na Atenção Primária e evolução da iniciativa

A iniciativa HEARTS é uma estratégia global da Organização Mundial da Saúde (OMS) redesenhada em sua versão 2.0 para expandir o foco original. Além do controle da hipertensão arterial, o modelo agora integra o cuidado cardiovascular, renal e metabólico por meio de vias clínicas baseadas em evidências.

Durante o evento, o Pedro Ordúñez, assessor sênior em Doenças Cardiovasculares da OPAS/OMS, trouxe reflexões profundas sobre a implementação da iniciativa. Em reação ao painel dos diretores do Ministério da Saúde, realizado no dia 13 de agosto, o consultor esclareceu a relação entre a iniciativa HEARTS 2.0 e o SUS:

"O ponto de partida é claro: o HEARTS 2.0 não é um modelo externo ou paralelo ao SUS, não propõe uma estrutura paralela e não pretende substituir as políticas, os protocolos nem a organização da atenção primária brasileira. Ao contrário, seu propósito é contribuir para que as capacidades que o Brasil já construiu possam se traduzir, de maneira mais consistente, em melhores resultados de saúde. É uma estratégia para apoiar e potencializar as capacidades que o próprio SUS já construiu", afirmou Ordúñez. 

Ativos do SUS e o papel da padronização

O médico elogiou a robustez da estrutura nacional, citando a Estratégia Saúde da Família, os agentes comunitários e as equipes multiprofissionais como ativos extraordinários. Segundo ele, o diferencial do HEARTS 2.0 é agregar evidência, padronização de processos críticos e orientação sistemática para resultados.

Ordúñez defendeu que a padronização é, essencialmente, uma ferramenta de equidade: "O lugar onde uma pessoa vive ou a unidade de saúde em que é atendida não deveria determinar se sua pressão arterial é medida corretamente ou se recebe um tratamento baseado nas melhores evidências. Devemos padronizar porque a evidência é sólida e adaptar à arquitetura, às capacidades e à realidade do SUS” disse.

Ele também apresentou, como referência para a discussão, níveis de desempenho que permitiriam ampliar substancialmente o controle da hipertensão e reduzir eventos cardiovasculares e mortes evitáveis. O consultor relatou que se elevar a detecção da hipertensão para 70–80%, manter os níveis de tratamento próximos a 90% e saltar dos atuais 60% de controle entre os tratados para mais de 80%, "isso resultará em menos infartos, menos acidentes vasculares cerebrais e menos mortes evitáveis", concluiu.

Resposta regulatória e compromisso do CFF

Alinhado às metas globais de controle e à necessidade de potencializar as equipes multiprofissionais da Atenção Primária, o CFF já trabalha em ações concretas para respaldar a atuação dos farmacêuticos nesse cenário.

O presidente do CFF, Walter da Silva Jorge João, destacou que as discussões promovidas pelo HEARTS 2.0 conversam diretamente com as prioridades atuais da autarquia: "Os desafios impostos para a melhoria do controle da pressão arterial e dos desfechos das doenças cardiovasculares, metabólicas e renais no Brasil compreendem parte das justificativas para a elaboração de uma minuta de resolução que trata das atribuições do farmacêutico nas doenças crônicas não transmissíveis, tanto na área de gestão quanto na clínica e no diagnóstico. Essa proposta será apreciada em breve pelo plenário do CFF", anunciou o presidente, destacando ainda que “o CFF tem levado há vários anos o curso de cuidado farmacêutico em condições crônicas para todos os Estado brasileiros com vistas a fortalecer a resposta do profissional.”  

Farmacêuticos engajados pelo fortalecimento do SUS

Ao final da missão de três dias, a representante do conselho, Josélia Frade, manifestou grande entusiasmo com os caminhos traçados e reforçou a prontidão da categoria profissional para assumir essa responsabilidade ao lado dos demais membros da equipe de saúde:

"Agradeço a oportunidade de conhecer o HEARTS, uma proposta de mudança de paradigma no cuidado às pessoas com condições cardiovasculares, metabólicas e renal, baseada nas melhores evidências disponíveis atualmente. Tivemos a oportunidade de conhecer as ferramentas e o modelo padronizado para orientar o trabalho em equipe, que permite levar a melhor evidência a todos os lugares e a todas as pessoas. Volto energizada por conhecer tantos gestores e profissionais comprometidos com o fortalecimento do SUS e com o avanço dessa proposta no Brasil. Contem com a força de trabalho dos farmacêuticos: temos muito a colaborar para prevenir mortes preveníveis e precoces por doenças cardiovasculares no país, além de contribuir para o diagnóstico precoce e o controle dessas condições." Ela ainda destacou que ficou claro durantes esses três dias que o HEARTS 2.0, além de promover a integração do cuidado cardiovascular, renal e metabólico, busca fortalecer a forma como o cuidado é organizado e implementado na Atenção Primária, combinando evidências, padronização de processos críticos e orientação sistemática para resultados.

O CFF expressa seu profundo agradecimento à OPAS/OMS pelo convite para integrar esta importante semana de trabalho. A autarquia reafirma o compromisso da categoria farmacêutica em somar esforços junto às equipes multiprofissionais, garantindo o acesso a tecnologias essenciais, ampliando a resolutividade do sistema e qualificando o cuidado clínico para proteger a vida de milhares de brasileiros.

Links de artigos e mais informações sobre o Hearts

Portais Oficiais (Links Gerais):

Repositório Geral de Conhecimento: Publicações e Recursos HEARTS da OPAS/OMS – Acervo com guias, ferramentas clínicas e cursos virtuais da iniciativa. 

Manuais Técnicos e Guias Clínicas

Artigos Científicos e Evidências do HEARTS 2.0


Outros artigos: https://share.google/HyNZuFN54bs5acQjU e https://share.google/ErznpeIuuSo5Ip14E