Imagem de São José de Anchieta, padroeiro dos farmacêuticos, no Brasil, é entronizada, no CFF
A entronização de São José de Anchieta reforça a identidade histórica da profissão e celebra o legado do primeiro boticário do país na sede do Conselho Federal de Farmácia
O padroeiro dos farmacêuticos, no Brasil, São José de Anchieta, teve a sua imagem abençoada e entronizada, nesta quinta-feira (23.04.26) pela manhã, na sede do Conselho Federal de Farmácia (CFF), em Brasília, durante o segundo dia da 566ª reunião plenária do órgão. A celebração da entronização de Anchieta foi conduzida por Dom Francisco Canindé Palhano, bispo emérito de Petrolina (PE). A imagem do santo ocupa um nicho localizado no hall de entrada para o plenário do CFF. José de Anchieta foi o primeiro boticário e precursor da farmacologia, no Brasil.
A solenidade de benção e entronização reuniu diretores do CFF, conselheiros federais e funcionários da instituição. O celebrante do ato, Dom Francisco Palhano, salientou o envolvimento do então padre Anchieta com a saúde (o serviço de boticário e os medicamentos) para curar os indígenas. “Por esta tão nobre causa, dedicou-se ao estudo das plantas medicinais nativas, descobrindo as propriedades terapêuticas nelas existentes para a manipulação de tantos medicamentos, resultando na cura de diversas doenças e tantas epidemias”, disse o religioso, acrescentando: “A sua missão ecoa na lida dos farmacêuticos”.

LUTA DO CFF – Em um breve pronunciamento, o presidente do Conselho Federal de Farmácia, Walter Jorge João, lembrou a luta do CFF junto à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em favor do reconhecimento de Anchieta como “nosso padroeiro”. Dr. Walter Jorge disse que as gestões do CFF junto à organização católica começaram, assim que o Padre José de Anchieta foi canonizado, no dia 24 de abril de 2014, pelo Papa Francisco, em Roma.
O dirigente do Conselho fez questão de citar o empenho do farmacêutico e assessor da presidência do órgão, Tarcísio Palhano, irmão de Dom Francisco Palhano, em prol do andamento – e sucesso – do processo que culminou com o reconhecimento, pela CNBB, de Anchieta como padroeiro dos farmacêuticos. Dr. Walter Jorge salientou que a escolha do nome de Anchieta como padroeiro aconteceu numa assembleia geral da Organização dos Bispos cujo resultado foi de 253 votos a favor e 17 contra.

BREVE HISTÓRIA - Espanhol das Ilhas Canárias, Anchieta, vindo de Lisboa, desembarcou, em Salvador (BA), aos 19 anos, em julho de 1553, onde foi ordenado padre. Em seguida, foi para Piratininga (SP). Começa, aí, a sua rica história que, em verdade, é parte da própria história do país. Reconhecido, em vida, como Apóstolo do Brasil, o missionário era um homem inspirado e determinado no cumprimento de sua missão tanto como boticário como divulgador da fé cristã. O missionário não via fronteiras para levar a cura aos necessitados e a palavra de Jesus Cristo. Por isto, percorreu, a pé e descalço, de Cananéia, no Sul de São Paulo, até o Recife (PE) pelo litoral.
Nos 44 anos em que viveu, no Brasil, o irrequieto José de Anchieta fez de tudo um muito: tomou a frente no esforço de construção de igrejas, enfermarias, colégios, boticas. Também, no cuidado em saúde a todos que o procuravam e na propagação da fé cristã. Para interagir com os indígenas, o religioso aprendeu o idioma tupi-guarani e, mais que isto, escreveu o livro “Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil”. Foi a primeira gramática e dicionário da língua nativa. Ele foi além. Escreveu várias peças teatrais e poemas em tupi. Desta forma, o padre boticário sistematizou e solidificou a língua indígena como um instrumento de comunicação, no litoral do país.
Dos muitos religiosos que vieram para o Brasil, Anchieta era o mais complexo deles no saber, na benevolência, na brandura e no desejo de servir ao próximo. “Nossa casa é botica de todos e, em poucos momentos, está quieta a campainha da portaria”, disse ele. Em carta ao seu superior, ele cita as dificuldades que encontrava para levar a fé cristã e o remédio aos necessitados. Palavras do Padre Anchieta: “Procuramos, sem descanso, visitar todas as aldeias e vilas, quer dos índios, quer dos portugueses e, mesmo de noite, acorremos aos doentes, atravessando florestas tenebrosas, a custo de grandes fadigas tanto pela aspereza dos caminhos como pelo mau tempo”. Nada detinha Anchieta em sua missão de servir.
Ele morreu, na Vila de Reritiba (ES) que, hoje, leva o seu nome, em 09 de junho de 1597, aos 74 anos. Estava doente e cansado, mas, não por isto, parou de servir. O não cumprimento do repouso custou-lhe a vida. Ele havia deixado o leito e andado a pé uma longa distância para cuidar de um paciente e não resistiu ao esforço. A fé, a entrega à pesquisa das plantas para a produção de remédios (exemplos são Triaga Brasílica ou Teriaga brasiliensis e Bálsamo do Peru, além do nitrato de prata) e o desejo ilimitado de cuidar das pessoas como boticário são um legado deixado por São José de Anchieta como uma fonte inesgotável de inspiração para os farmacêuticos, no Brasil.
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