Farmacêutico tem papel essencial no registro e controle de produtos veterinários

Coordenador de Registro de Produtos Veterinários do Mapa destaca a importância atuação o farmacêutico no setor agropecuário

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Os números do agronegócio brasileiro estão entre os mais expressivos do mundo, representando quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB). Para garantir o alto índice de produtividade e a qualidade daquilo que é consumido no Brasil e exportado para outros países, esta cadeia conta com 2.689 medicamentos de uso veterinário, 587 vacinas e mais de 250 kits de diagnóstico registrados nos órgãos sanitários, de acordo com dados do anuário Sindan-2024. 

Junto a outros profissionais da área da saúde, o farmacêutico está diretamente envolvido no desenvolvimento desses produtos e seu trabalho é indispensável para que as formulações apresentem eficiência e eficácia. É o que explica o farmacêutico auditor fiscal e coordenador de Registro de Produtos Veterinários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wagner Silva dos Santos. “Dentro do ministério da agricultura, temos diversas áreas de atuação do farmacêutico. Uma delas é a de registro de produtos de uso veterinário: uma tarefa estritamente científica e técnica que envolve elementos como validação do cumprimento das normativas, avaliação de estudos de estabilidade e de métodos analíticos e avaliação de segurança e eficácia de medicamentos”, pontua.

Já a atuação do Farmacêutico na produção de produtos biológicos se dá por meio de análises dos certificados de origem e controle de sementes, estudos de avaliação da eliminação dos agentes infecciosos pelos animais vacinados e disseminação para animais não vacinados e estudo de segurança dos produtos em fêmeas prenhes. “Já os kits diagnósticos, que são utilizados para identificar a presença de patógenos nos animais, precisam passar por estudo de interferência, de repetibilidade e de reprodutividade. Para trabalhar com isso, é necessário que o farmacêutico tenha um perfil específico”, observa. 
 
Regulamentação

Wagner dos Santos destaca que, além de ser um órgão de fiscalização, o Ministério da Agricultura também é responsável pela regulamentação dos medicamentos de uso veterinário. “Toda a legislação que envolve o medicamento de uso veterinário é regulamentada pelo Mapa. Farmacêuticos, veterinários, zootecnistas e químicos podem ingressar nessa carreira de auditor agropecuário e atuar na regulamentação do que deve e ou não ser cobrado para que um medicamento seja aprovado e passe a ser comercializado. O farmacêutico pode estar presente, por exemplo, dentro de comitês e comissões, tanto propondo quanto revisando normas, além de ter a oportunidade de participar de comitês internacionais para discutir e harmonizar práticas entre os países. Também mantemos uma comunicação vital com a Anvisa para alinhar todo esse trabalho”, explica.

Farmacovigilância

O farmacêutico revela que, em 2025, foi criado um núcleo específico para lidar com relatos de reações adversas e de não conformidades advindos dos usuários de medicamentos de uso veterinário dentro do ministério. “O Mapa vem empreendendo esforços para o fortalecimento da farmacovigilância. Para promover o desenvolvimento deste tema estratégico para o Brasil, estamos acompanhando esta área com mais carinho e investimento. Quando falamos em resistência aos antimicrobianos, por exemplo, os antimicrobianos de uso veterinário influenciam diretamente nesse cenário e este olhar para a farmacovigilância se torna cada vez mais essencial”, afirma.