28 de janeiro: Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase

Estudo feito por farmacêuticos faz análise epidemiológica da hanseníase no estado do Maranhão

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O último domingo do mês de janeiro é lembrado, no calendário nacional da saúde, como Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, doença infecciosa e contagiosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae. Um estudo feito por farmacêuticos e publicado, recentemente, no Diversitas Journal faz uma análise epidemiológica da hanseníase no estado do Maranhão. O objetivo foi analisar o perfil epidemiológico da hanseníase naquele Estado, no período de 2012 a 2020.

No mundo, apenas o Brasil ainda não alcançou a meta de eliminação da hanseníase como problema de saúde pública, convencionada em menos de um caso para cada 10 mil habitantes.  Atualmente, o país possui o segundo maior número de novos diagnósticos da doença, ficando atrás apenas da Índia. Já nas Américas, concentra mais de 90% de todas as ocorrências, conforme informações do Ministério da Saúde.

De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos e Notificação (SINAN), do Ministério da Saúde, entre os anos de 2012 e 2020, foram notificados 37.721 casos de hanseníase no estado do Maranhão. Desses, 24.774 pacientes com hanseníase foram classificados, para fins de tratamento, na forma multibacilar, com presença de até cinco lesões na pele com baciloscopia de raspado intradérmico negativo; e 8.516 casos, na forma paucibacilar, com presença de até cinco lesões na pele com baciloscopia de raspado intradérmico negativo. 

 

A farmacêutica Sâmia Andrade

 

A farmacêutica Sâmia Andrade observa que o estudo apontou o Maranhão no 1° lugar, no Brasil, em números de novos casos de hanseníase. Nesse Estado, foram registrados 36,482 novos casos, somente de 2012 a 2019. “Cerca de 30% desses casos foram de pessoas que chegaram aos consultórios e ambulatórios com algum grau de incapacidade, isto é, quando a doença causa alguma deformidade física, diminuição ou perda de sensibilidade nos olhos, nas mãos ou nos pés”, destacou a pesquisadora.

Os dados analisados mostraram, ainda, que a maior prevalência da doença ocorre em pessoas do sexo masculino, com idade entre 30 e 39 anos, baixa escolaridade, cor parda e na maioria dos casos a doença se apresentou na forma Dimorfa (52,9%), seguida pela forma Virchowiana (16%), que são as formas mais graves da doença, que podem causar deformidades e incapacidades físicas, quando não tratadas. 

Considerada uma das doenças mais antigas que acometem o homem, a hanseníase está associada   à   desigualdade   social   e   a   condições   socioeconômicas   desfavoráveis, como analfabetismo, situações precárias de moradia, falta de saneamento básico, crescimento urbano desorganizado e serviços de saúde ineficientes. Por isso, o estudo poderá auxiliar a orientação dos profissionais de saúde na prevenção, diagnóstico e controle da doença e, aos gestores de saúde pública, no planejamento e gestão das políticas de saúde contra a hanseníase em todo o país.

Leia o artigo completo em https://diversitasjournal.com.br/diversitas_journal/article/view/2716